(*) Burning Sky - Belo Horizonte/MG - Photo, Art: Ana.
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11 janeiro 2010

Mais 30

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Pensava que quando o dia chegasse, fosse me sentir diferente. De fato, dá um certo tremor nas pernas, a gente se olha no espelho e por mais que se veja igual a todos os dias, o olhar minucioso enxerga coisas que não existem em lugares não imaginados.

Mas é sério, há anos pensava que, ao acordar neste dia, veria alguma transformação radical em mim. Pensava que me sentiria (mais) adulta, (mais) inteligente, (mais) mulher. Pensava que estaria ou mais feia ou mais bonita, ou mais magra ou mais gorda. Pensava que ficaria loira ou que não estaria ali.

Já cheguei a pensar que nunca estaria me olhando naquele espelho daquele quarto naquele exato ponto geográfico. Que talvez eu já tivesse cabelos brancos ou muitas tranças, rodopiando longe daqui. Que teria filhos e que eles já teriam meus netos.

Pensei que o mundo seria diferente... Mais colorido? Mais preto e branco?

A verdade é que o mundo já mudou. Já foi multicor e já foi cinza tantas vezes pelos meus olhos. Eu já mudei. Já emagreci e engordei feito sanfona em festa de São João, já pintei meus cabelos sem estarem brancos e há dias em que me acho bela, noutros, nem tanto.

A verdade é que já sou adulta e mulher, que minha inteligência deixa a desejar em alguns momentos, pois não sou nenhum Einstein. Já me aceito assim, nem bonita nem feia, um dia fatal, outro normal, gata borralheira ou cinderela, brava, calma, baixa, chique, simples. Minhas pernas já não são mais as mesmas, assim como minha flexibilidade também já teve dias melhores.

Mas hoje não estou velha. Nem sábia. Nem gorda. Nem magra.

Mas... Estou preparada: que venham mais 30!

Ana.

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17 dezembro 2009

Melô do Fim de Ano

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Melô do Fim de Ano

Pois assim têm sido meus últimos dias do ano...

RODA VIVA
(Chico Buarque)

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá

Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente até não poder resistir
Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá

A roda da saia, a mulata, não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata, a roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa, viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola prá lá

O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade prá lá...

***

Até mais ler.
(Semana que vem.)

Ana.
(Foto: Ana Letícia. Letra: Chico Buarque de Hollanda.)

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15 julho 2009

Menino, eu vi!

Muro

Eu vi o menino andando à minha frente. Lá longe, a mãe do menino, esperando.
Eu vi o homem barbudo vindo, olhando o menino e a mãe do menino.
Eu vi a casa na esquina, a rua, carros passando, o muro baixo da casa e o portão branco, enferrujado.
Eu vi o homem barbudo, lá longe, olhando a casa da esquina.
Eu vi o menino parando, a mãe do menino parando e falando ao menino.
Eu vi o menino pedidno e a mãe ascentindo com a cabeça.
E o homem barbudo vindo, olhando o menino.
Eu vi o menino mijando no muro baixo da casa da esquina com seu portão branco, enferrujado.
Eu vi a mãe virando de costas, o homem vindo andando, olhando a casa da esquina e o menino a mijar.
Eu vi o tempo passando e o muro baixo da casa da esquina molhando com um brilho amarelo.
Eu vi o homem barbudo perto do menino. O menino parando de mijar.
Eu vi o menino correndo, o homem barbudo entrando na casa de muro baixo da esquina, abrindo e fechando o portão enferrujado.
A mãe do menino a ralhar.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

12 julho 2009

Entre pés e costelas

Objetos :-)

(ou: Devaneios sobre ossos quebrados alheios)

Sempre torci o pé e para mim isso sempre foi uma coisa "normal" e corriqueira. Sou completamente viciada em esportes e na escola jogava queimada, ginástica olímpica, corrida, futebol, natação, ping-pong, basquete, handball, vôlei... Não parava quieta e minhas muitas atividades físicas sempre causaram dores musculares e algumas leves contusões, nada que me prejudicasse muito.

Só que essa "normalidade" toda, um dia se tornou estranha pra mim, depois de uma conversa com minha tia, que é psicóloga. Este papo ocorreu após o seguinte acontecimento: estava em minha casa, num dia de folga do treino, rodopiando como uma louca meus fouettés an tournant. Eis que escorrego, viro o pé e caio no chão, da mesmíssima forma que eu já caíra inúmeras vezes nos treinos na escola de ballet. A diferença foi que a torção no pé foi bem feia, inchou muito, e por pura sorte não rompi todos os ligamentos do tornozelo (assim disse o ortopedista durante a consulta)...

Nesta época, minha vida estava uma loucura e não sabia onde iria parar com tanta gandaia, não sabia o que queria da vida, entre outras coisitas que permeiam a mente e a vida de alguns adolescentes tardios (como eu). Segundo minha tia, esta torção no pé simbolizou minha falta de rumo e acabou que, obrigatoriamente, me forçou a parar e repensar sobre minha breve vida, durante as muitas sessões de fisioterapia a que tive que comparecer a fim de andar e dançar de forma normal novamente. E não é que deu certo?

Pensando por este lado, faria sentido, então, alguém quebrar a costela quando se está passando por dificuldades emocionais, sentimentais, quando se está insatisfeito com escolhas que se anda fazendo, "amorosamente" falando... Pensem bem, o esqueleto humano é composto por 206 ossos (segundo a wikipedia), e o ossinho localizado no tórax - a costela - foi o escolhido por Deus para confeccionar a mulher, aperfeiçoando (em termos) sua criação original - o homem...

Religiões e devaneios à parte, na dúvida na dúvida é melhor prestar mais atenção no chão em que pisamos - e não fazer fouettés an tournant em piso com sinteco!

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

23 junho 2009

Arrebatador (*)

Sem cabeça
(*) Texto original publicado aos 14.06.2007.

Vou parar de fingir que não estou nem aí. Vou parar de fazer ironias e dizer coisas sem sentido, e nunca falar o que eu quero de verdade. Vou parar de fingir que estou tranquila no meu canto e que não penso em você a todo instante.

Vou parar de fingir que não quero falar com você todos os dias e parar de fazer o tipo “ocupada todo o tempo”. Não mais fingirei que não fico todos os dias te esperando dar um sinal de vida, tomar mais uma pílula que seja de sua atenção.

Não vou mais fingir que não me decepciono, que toda a minha agressividade, ironia e sarcasmo não são em decorrência de faltas e atitudes.

Não falarei mais com você sobre coisas não corriqueiras, mas sobre como foi o meu dia, perguntarei como foi o seu, admitirei que faço planos, sonho, penso e programo um monte de coisas, erro, grito, xingo, faço xixi e tremo choro quando estou com raiva.

Vou parar de fingir que não me lembro do seu toque, da sua voz. Vou parar de fingir que não me apaixonei por você.

Quero ouvir todas as suas letras, não só as entrelinhas. Quero parar de decifrar símbolos, palavras, reações. Quero simplesmente ouvir que me quer e nada mais. Simples assim.

Vou te falar uma só coisa: esta não é só mais uma historinha de amor, dessas que a gente menciona pros amigos, filhos e netos, um caso, uma aventura, algo que morreu por aí.

Vou parar de enrolar e dizer de uma só vez: eu quero que seja arrebatador.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

20 maio 2009

Os dentes e os trapos

A terra é redonda

O dia passa lentamente, as horas escoam pelos cantos da mesa, já nem sei onde estou. Minhas palavras, que não são poucas, mal são ouvidas, balbuciadas por mim nas horas de torpor. Em meio a tanta gente, vejo você em seu olhar leonino, penetrando entranhas e sugando minha carne com a ferocidade de um gatinho assustado querendo se aconchegar.

Do outro lado da rua, um pomar de águas-vivas sobrevive à sequidão sentimental, que atualmente cisma em jogar dardos com seu parceiro noturno, animador de festas, passatempo de andarilhos e agente inebriante de algumas mentes que se esqueceram de um dia brilhar. E, ao cruzar contigo, me deixo invadir pela onda de seus fartos cabelos. Submersa em meias palavras, curo a ressaca do dia que se tornou noite, após longos caminhos de fumaça vermelha e vapor de poeira estelar. Ignoro o veneno que me queima a pele, causado por viva água, bela e suculenta, fingindo gostar de sofrer, de rolar em chão de espinhos gelatinosos.

Uma missão cumprida na sujeira azul de um planeta chamado Eu, varrendo pensamentos e espantando carniceiros. Roubam a vida das águas, lhes retiram o sal. Sem suor, sem lágrimas, corro a seu encalço, lhe prendo as vestes sob postes e luares e tasco um belo de um beijo que nunca se esquecerá.

O mundo some e o dia acaba, esquecemos de tudo e falamos de um nada tão distante que nem sabemos da dor que se fez riso. Do branco do seu dente cariado ou do redemoinho que restou de meus trapos.

Ana.
(Ana Letícia: texto e foto.)

13 maio 2009

Sobre a "dita cuja" (gripe) suína...

Em meio às árvores...

Na dúvida é não facilitar...
Na dúvida é amar ao próximo como ama a ti mesmo.
Prestem atenção: como ama a ti mesmo.
Há um tom de egoísmo na pregação de Inácio de Loyola (e na doutrina Jesuíta)?
Já ouvi muita gente falar muita besteira sobre isso. Sempre discordei veementemente.
Egoísmo é importar-se com o seu vizinho só porque ele é pobrezinho e não pode ficar doente, pra não transmitir doença pra você!
Mas amar a si próprio é fundamental para que possamos amar o outro. Só assim conseguimos olhar o que tem lá fora: quando a gente se volta para dentro e percebe o quão frágeis todos nós somos. E é aí que enxergamos a única certeza que podemos ter em vida - a morte! E assim, todos somos iguais, vulneráveis, egoístas, incapazes de dizer "eu te amo" com amor verdadeiro, na hora que dá vontade. Pensamos em ações e reações, pesamos riscos, fazemos seguro de vida, carro, imóvel...
E assim, fazemos mal.
E assim, faz mal aquele que despeja lixo nos rios, polui o ar, faz mal não respeitar o direito do próximo, faz mal não amar, não se colocar no lugar do outro.
Menos preconceito.
Mais amor
Sorrisos
Aplausos
Cores.
VIDA.


(Clique para ouvir)

Ana.

(Foto e texto: Ana Letícia.)

22 dezembro 2008

05 outubro 2008

Fui, votei e voltei

Beca dependurada

[...] Por que determinado partido recebe mais votos? Por que certo candidato é eleito numa eleição e é preterido em outras? O que muda na cabeça dos eleitores? [...]

O voto é a indicação, pelo eleitor, do candidato ou candidatos de sua preferência. Todavia, este instrumento de participação na vida política se insere dentro dos direitos políticos do cidadão, e abrange não só o ato de votar, como também o ato de ser votado, tornando-se, então, um conjunto de condições que permitem ao cidadão intervir na vida política. [...]

No decorrer da curta história do Brasil, o povo foi se colocando à margem dos destinos da Nação e assim, fez crescer uma idéia negativa de que no Brasil não são encontradas as condições necessárias para a implantação de um processo democrático verdadeiro. Cabe esclarecer que em nosso País as eleições têm sido realizadas desde a Colonização, com características peculiares em cada momento histórico.

A forma de legitimação concedida pelo sufrágio popular em outras épocas, não se fazia através dos votos dos cidadãos como se conhece hoje. Inicialmente, tal acontecia de forma indireta e em vários turnos. Posteriormente, adotou-se o sufrágio de forma direta e em turno único, mediante o prévio alistamento e sua conseqüente formação do colégio eleitoral. Em determinados momentos, admitia-se o voto censitário, expressamente autorizado na Constituição de 1824.

A renovação na democracia decorre de um exercício constante do poder de seleção. [...]

A perspectiva otimista que se apresenta no Brasil de hoje está longe de se apoiar na inteligência dos eleitores, uma vez que a lei confere aos cidadãos a apenas a capacidade natural do voto, mas não cultura e discernimento a quem não os possui de fato. Como conseqüência imediata, temos que a política se transforma em monopólio dos políticos, isto é, dos que fazem da política profissão e meio de vida. A maioria de nossos representantes, infelizmente, utilizam-se da política e do voto como um instrumento referendatário para a sua permanência no poder e consecução da sua vontade individual.

Existe um ditado popular que apregoa: “vão-se as leis aonde estão os Reis”, o que sugere que o Direito, a norma ou, no mínimo, a resposta que o aparelho judicial irá fornecer na sua missão de dirimir lides, são guiados por motivos políticos e sociais – a solução sempre poderá ser tendenciosa, poderá inclinar-se para o lado dos mais poderosos. Se verdadeiro, este fato atenta contra a consciência popular, para dizer o mínimo. Afronta os princípios constitucionais sobre os quais o ordenamento jurídico brasileiro é erigido. Na verdade, é uma afronta ao próprio direito, em um Estado de Direito. [...]

Trecho extraído da "Introdução" à minha Monografia de Graduação, apresentada em 2003 na UFMG... É rapaz, voto é coisa séria...

Vale a reflexão, né?

Ana.

09 julho 2008

Coxos

Para mudar a sua história...

Decrépitos, feios, sujos, leprosos, carregadores, catadores, maltrapilhos, mendigos, moradores de rua, periféricos, mancos, discriminados, renegados. A caminho da rodoviária, vejo-os todos, em seus trapos, carros de tração nas duas pernas.

Cobertor paraíba e travesseiro de pedra, em seu papelão de abrigo... Do frio, da noite, do mundo. O mesmo que os rejeita, engole, regurgita e cospe, num gozo capital, da capital da mina geral, do ouro das entranhas minerais, de esgotos e galerias pluviais, habitam as ruas junto aos ratos e gatos noturnos. Seres soturnos, calados, impávidos e obsoletos, criaturas de carros limpos e vidros fechados, passam também.

Seguem seus caminhos, ignorando-se mutuamente, todos: decrépitos, feios, sujos, leprosos de mentes, pensamentos e idéias, que atravessam a vida de coquetéis e ternos Armani, (ul-)trajes a rigor e convites formais.
Sem olhar pra trás.

Ana.
(texto e foto)

18 junho 2008

Depois...

Bibi fonfon

Depois que tudo passa, muito tempo depois, restam as lembranças. Sendo elas boas ou más, apenas elas ficam. Não que queira mais que isso. Apenas elas já bastam. A água que passou debaixo da ponte não volta mais -- e todo mundo sabe que água reaproveitada não é própria para o consumo humano.

Você se torna mais um número na agenda telefônica. Daqueles que você ainda não apagou pois um dia na vida, outro na morte, poderá precisar de alguma coisa, que nem você mesmo consegue imaginar o que poderia vir a ser. Devolver aquele livro do Dostoiévski, talvez, ou o DVD dos Rolling Stones. Ligar pra conversar, botar o papo em dia... nem pensar! Que papo? Não existe mais papo ou notícia pra contar, acabou o diálogo, acabou a vontade de dialogar. Ficou tudo artificial demais, chato demais, na mesmice demais.

Colecionar fatos, pessoas, lembranças, mentiras, sapos engolidos, momentos. É disso que é feita nossa vida. E é isso o que acontece, depois que tudo passa. Mais um item na coleção de coisas passadas.

Você se torna mais um álbum de fotografias guardado no alto do armário, junto com todos os outros. No caso dos mais moderninhos, aos quais fotos impressas estão obsoletas, você vira uma imagem .jpeg gravada em CD’s e DVD’s de fotos esquecidos na estante, arquivos digitais que lotam as memórias dos chips das máquinas que já não são mais usadas, em pastas de computador que não são mais clicadas, abertas, expostas, lembradas. Você vira Um mero endereço de e-mail, ao qual mensagens de humor ou reflexão são enviadas -- isso quando não se trata de arquivos horrendos e piadas encaminhadas de péssimo gosto, apresentações bregas de powerpoint, dessas que você nem manda executar, manda pra lixeira direto.

Mas te esqueceram de contar que depois que tudo passa, muito tempo depois, resta você. Resta a sua vida inteira pela frente. E isso já é coisa demais. E ponto final.

Ana.
(texto e foto)

09 abril 2008

Aonde vamos chegar?



Como se não bastasse:

1) usar salto alto e ou sapatos desconfortáveis;
2) colocar silicone, fazer lipo-aspiração, cirurgia plástica e afins;
3) usar make-up;
4) passar ácido no rosto, fazer limpeza de pele de quando em quando e ainda por cima, peeling;
5) usar roupas apertadas e ou desconfortáveis;
5) por causa do n° 4, fazer dieta pra caber nas roupas;
6) malhar - idem n° 5;
7) passar formol no cabelo pra acalmar as madeixas;
8) gastar horrores por mês pra ficar na moda, bonita, em forma, arrumada, etc;
9) ficar menstruada todo mês, com direito a cólicas;
10) ter TPM todo mês;
11) usar sutiã;
12) fazer manicure e pedicure (acreditem em mim, é um saco, dá a maior gastura);
13) depilar "as partes";
14) engravidar, carregar um bebê na barriga por 9 meses, deixando-a potencialmente flácida e com estrias, e ainda sentir as dores do parto, amamentar (vendo os peitos murcharem e caírem vertiginosamente)...
15) ser gostosa, inteligente, trabalhadora, cuidar da casa, dos filhos, do marido, pagar as próprias contas, chupar cana e assoviar ao mesmo tempo..................................;
etc etc etc etc...

Ainda me inventaram um tal batom para inchar e tornar os lábios mais quentes.... (sim, no sentido da temperatura...)
Meda disso, gentem!

E ainda ouço uma dessas hoje à tarde: "O batom é pra usar na boca, tá?"...

G-zúis! Onde vamos parar? Parem o mundo que eu quero descer...
(rs)

Becitos miles (pois este post me lembrou minha amiga Roma Dewey... por onde andará?), sem o tal batom, diga-se de passagem. ;-)

Ana.

07 abril 2008

E lá vou eu

niemeyer 184

Sou jovem, sim, pessoas passaram por mim. Sim, sou madura até demais, muitas vezes. Noutras, sou infantil como uma menina de 7 anos. Sim, sofri. Sim, vivo minha vida com plenitude. Sim, falo palavrão, e sim, me arrependo depois de proferi-los. Não, não tenho medo de errar, de jogar, de cair. Eu me levanto, eu quebro a cara, e dou a outra face.

Sim, já experimentei muita coisa, já fiz coisa certa, já fiz coisa errada. Já sofri conseqüências, já odiei, já fui odiada. Já fiz sofrerem por mim, já sofri pelos outros, sofri com os outros, já me preocupei. Não me deixo de preocupar. Preocupo-me com quem eu gosto, gosto de graça, nem sempre gosto de quem me gosta, gosto de cuidar, de ser cuidada.

Penso muito, faço muito. Sou dualidade, paixão e razão. Eterno conflito. No geral, sigo meu coração, e lido bem com isso. Ouço minha intuição, e então meu coração fala mais alto, bate mais forte, ensurdecedor. Nem sempre sigo minha intuição. Mas sei que deveria. E intuição nada tem a ver com razão. A razão é o contrário disso tudo. É lógica, fria e matemática. Definitivamente, são raras as vezes que dou ouvidos à razão. Deveria mais?

Sou jovem, sim, mas já vivi muito, nesta contradição louca entre juventude e vivência. E vivo ainda, até a última gota. Tenho esperanças infinitas. Viajo em meus pensamentos, em minhas palavras, provocadas pelas suas, pelos sons, por um telefonema, pelo sorvete, pelo remédio, por um amor Grand'Hotel.

Aponto para o céu e vôo alto.
E lá vou eu. De ponta cabeça.
Mais uma vez.

Ana.

31 março 2008

Conversinhas hipotéticas (ou não)


- O que faz acordada até essa hora?
- Penso em ti, oras.
- E por quê?
- Não consigo parar de pensar naquele assunto... Não pode ser verdade...

[...]

- Agora que você já sabe de meus segredos, não pode mais rir de mim!
- [risos]
- Eu falei que não poderia rir!
- [risos]

[...]

- Oie!
- Oi.
- Tudo bem?
- Beleza pura. E aí?
- Tudo ok.
- Humm. Então tá.

[...]

- Bom dia! Tudo bem?
- Querendo ficar... Aliás, já estou quase bom. Aquela parada do triângulo amoroso do signo está dando certo, aparentemente...
- Ahn?
- É, do e-mail que você me mandou.
- Ah é? Triângulo? Então cê arrumou outra?
- Outra, como? Se nem tenho uma?
- Eu heim...

[...]

- Você me viu on-line hoje de manhã?
- Não.
- Ok... estranho...
- Nem teria como, eu não entrei no MSN de manhã.
[risos]
- Ah tá. É que acho que clonaram o meu então.
- Eita.
- Pois é.

[...]

- Estou de cara até agora com a tal história.
- Pois é.
- Eu não consigo parar de pensar nisso.
- E eu então???
- Como é possível?
- Não sei. Para mim é impossível.

[...]
Siempre que te pregunto / que cuando, como y donde / tu siempre me respondes Quizas, Quizas, Quizas
Y asi pasan los dias / y yo desesperado / y Tu, Tu contestando
Quizas, Quizas, Quizas
(Helmut Lotti - Quizas, Quizas, Quizas)
Ana.
(devaneios e foto.)

07 março 2008

Do alto daquele morro

(Som na caixa - para ouvir a trilha sonora, aperte o play...)




A boba, do alto de um morro, parada, eterna
Não querem saber quem ela é
O que ela sente?
Para onde vai?
O que ela quer?
E eu... dou de ombros, pego o ônibus, e assim como ela, vejo o mundo girar.
Parada e só, vejo o pôr do sol (meu momento preferido)
Penso em nuvens e ouço mil vozes diferentes,
Respondo, mas sem nunca ninguém ouvir,
E ninguém repara nela.
Olho pra mim mesma e vejo minha cabeça girar.
E a boba no alto do morro, onde passa boi, passa boiada
Passa rente ao mundo, que gira
gira
gira...

Ana.
(Texto e foto.)

12 fevereiro 2008

Concreto em flor

Saudade não se fabrica, saudade é presente no ausente, é constante, é cheio de vazio. Não é feita de tijolos de lembranças, nem de pingos de suor. É de pedras no meio do caminho, de poeira de sol, de estrelas no céu, de conta-gotas de mar. Saudade é concreta, saudade é companheira. É coisa, palpável, não se lava, se carrega consigo, como uma roupa que nunca se despe.

De vez em quando a saudade te engana, diz que vai embora. Aí fica escondida atrás da porta, só te esperando voltar da rua, pra te ver nua e exausta e frágil e sem graça. Te assusta quando te toma de assalto, pula em frente e te rouba tudo o que é mais seguro. Invade sua bolsa de pele humana, e te torna menos gente do que já é. Explode em sua cara santa um sorriso sarcástico, te nega, te condena, te oprime. É amiga dos minutos, daqueles em que não se tem nada pra fazer. É silenciosa no chegar e alarmante no ficar. É bicho, renegado, nunca se vê mas sempre te segue como uma sombra na penumbra.

Nunca vai embora? Nunca se supre? Não se substitui? Apenas permanece ali, perene, quieta, latente. Enchente nos períodos de pororoca emocional, chuvas intermitentes que assolam a região do pensar, o vale do sonhar, e o norte do estado do vagar. Até que vem a seca que te resseca por dentro, te suga as energias todas e te fazem sucumbir a ela, a saudade, novamente.

Um broto verde surge em meio à lama do rio seco. Um fio de teia de aranha se enfeita de orvalho, como um colar de pérolas no colo de uma moça da realeza. E a libélula pisca os olhos – se é que libélulas piscam os olhos – e se lembra que viver é sofrer, viver é doer, é sentir, é sonhar, é morrer a cada segundo e ressuscitar no instante seguinte ao inspirar perfume de gardênias, mel em flor e baunilha fresca!

Peço licença aos meus devaneios e me pego a caminhar por entre praças, ruas e carros. Algumas buzinas e gotas da chuva que já vem. Nem me importo. Estou na chuva é pra me molhar.
Ana.

21 janeiro 2008

Coisas boas de fazer quando se está de férias:

Coisas boas...

1) Ir ao cinema;
2) Assistir televisão debaixo do edredon o dia inteiro;
3) Conversar no telefone por horas a fio;
4) Vadiar pela net;
5) Encontrar com os amigos e amigas num boteco;
6) Ir à praia;
7) Visitar os avós;
8) Namorar;
9) Sair à noite de 2ª a 2ª;
10) Exibir o bronzeado na rua;
11) Ir ao clube tomar sol;
12) Acampar;
13) Ir à cachoeira;
14) Não ir à academia;
15) Comer brigadeiro de colher;
16) Comer pipoca;
17) Fazer churrasco todo final de semana;
18) Tomar cerveja gelada na hora que der na telha;
19) Não trabalhar;
20) Viajar durante 15 dias;
21) Ler um bom livro;
22) Dormir tarde e acordar tarde... dormir muito!

Dos 22 itens listados acima, não fiz nenhum ainda. Afinal de contas...


EU NÃO ESTOU DE FÉRIAS!
Aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh!
(E que venha o carnaval...)
Ana.
(Texto e foto.)

01 janeiro 2008

# 1


Primeiro post de 2008.
Primeiro dia de 2008.
Um ano novo que se inicia, vida nova, sonhos novos, promessas novas...

Peraí. Volta o disco.

Qual o sentido de tanto se festejar? De usar calcinha ou cueca amarela (ou vermelha), de comer uva e jogar as sementes pra trás, fazer orações aos reis magos, guardar semente de romã na carteira, pular 7 ondinhas, jogar flores no mar, soltar fogos de artifícil, estourar champagnes, beber até cair e comer até dizer chega???

Calma minha gente, nada mudou. Eu continuo a mesma (com um quilinho a mais por causa dos excessos, é claro), o mundo continua o mesmo, a roda ainda gira, e o relógio não parou. O que ocorreu foi que ontem o sol se pôs e hoje ele nasceu novamente. Igual a todos os dias. A mesma coisa.

E se o reveillon não existisse?
E se o ano, ao invés de 365 dias, tivesse 480? Ou então 200?
E se falassem que o dia tem 30 horas, e cada mês 65 dias?
Qual a diferença faria?
É claro que a vida seria diferente, mas é claro que seríamos acostumados a tal, e isto sim seria o nosso normal.

Só sei que faz bem renovar os sonhos, as metas, as promessas. É bom ter o sentido de recomeço, de mais uma chance, de um ano a mais de vida, pra consertar os erros cometidos, ou pra aprender mais um pouquinho e aí não errar mais, sei que é bom usar roupa nova e inventar receitas de ano novo, como "chá miraculoso de 7 ervas pra tirar mau olhado e chamar bons fluidos", acreditar que a calcinha amarela trará dinheiro, e que a cor vermelha na roupa chamará o amor, comer lentilhas, uvas, romãs, ver os fogos, beber champagne, molhar os pés na água gelada da praia, abraçar os queridos, lembrar dos ausentes ou dos que se foram, desejar coisas boas.

É isso. A vida deveria ser assim sempre. Todos os dias deveriam ser comemorados e as esperanças serem realimentadas a cada nascer do sol. E só deveríamos desejar coisas boas aos outros, e lembrar dos amigos sempre, e encontrar com a família, e abraçar quem a gente gosta quando bem quiséssmos, sem esperar nada em troca, sem ter nenhuma data especial, nada.

Ter serenidade para fazer escolhas, maturidade para aceitar os erros, receber críticas, criticar sem desconstruir, ter a criatividade infantil e a sabedoria de um idoso, lutar pelos sonhos, fazê-los acontecer. Viver um dia de cada vez, com calma e temperança. Planejar, conversar, amenizar, pagar dívidas (não fazer outras), gastar menos, abraçar mais, falar mais vezes eu te amo, e ouvir mais vezes também.

Taí. Estas são minhas promessas de ano novo.

Ana.
(Foto retirada deste site.)

31 dezembro 2007

Whatever it's gonna be, it's gotta be

portal para o mar

Há coisas que acontecem e a gente simplesmente não pode, não consegue evitar. Até tentamos, lutamos contra a maré, nadamos, nadamos, mas nem assim saímos do lugar. Queremos fugir, mas não conseguimos enxergar. Tateamos no escuro, procurando em quê se apoiar. Não há nada, só o abismo em que nos encontramos, o mesmo escuro de sempre, e caímos, caímos, por mais que tentemos pular. Uns chamam de destino, outros de fraquezas, há ainda quem fale em predestinação, safadeza, traição.

Mas como ir contra um sentimento tão forte? Uma atração maior que a força da gravidade? Uma sensação de impotência total, e sucumbência absoluta frente a tudo isso? E então deito de costas, e me ponho a boiar, deliciosamente fecho os olhos, e me permito sonhar. Conto carneirinhos, vejo desenhos em nuvens. Não olho para baixo, apenas sinto meu corpo cair, o vento soprando envolvendo meu corpo entregue ao simples ato de... cair.

E quando acordo deste sonho bom, sinto-me culpada por dormir tanto, sinto remorsos por boiar neste lago de águas doces e calmas durante horas, sinto dores, pois o chão é duro e a queda foi longa.

E todo dia é a mesma coisa. Tudo igual, tudo igual. A mesma tentativa de resistência, a briga interna, aí recebo um gostinho, ganho uma prova apenas, e é o bastante para a sucumbência. Para novamente pisar em falso e tropeçar em minha própria pedra no meio do caminho, se é que não era para ela estar ali, se é que o propósito do próprio caminhar não é justamente encontrar com tal pedra. Se é que esta pedra nada mais é que o retrato da minha imutabilidade, da minha incapacidade, da minha vida. Como um caroço no angu, ou uma pinta na pele alva, uma bolha no chocolate caseiro, ou ainda um retrato esquecido na parede.

Só sei que é impossível lutar contra. Continuarei sonhando, e caindo, e tropeçando. E lutarei a favor então. E viciada permanecerei neste círculo envolvente e impossível de administrar.
E seja lá o que Deus quiser. Ou o Diabo. Ou Buda. Ou Zeus. Ou whatever.

E bye-bye 2007. This is the end. O fim. “Zéfiní”.

E feliz 2008 pra nós!!!

Texto e foto: Ana.

22 dezembro 2007

Balões de Gás


Flutuo sobre meus saltos, altos, finos e leves. Caminho sobre nuvens, em passos largos e saltitantes, com cuidado para não furar os flocos de algodão-doce sob meus pés de bailarina. Calejados pés, que sentem e sofrem, hoje e sempre, mas que me mantêm firme no chão, sonhando acordada e voando, como um balão.

Lá embaixo vejo cores: vermelho, amarelo, rosa, verde... Vejo fumaça e som, silêncio e música, carinho e sensações. Amigos, pais, flores e cerejas, chocolate e velinhas faiscantes. O vento me inebria, e a noite me envolve, molhada de chuva, suor, lágrima, cerveja, riso, fantasia e pirulitos. Passam luzes, passam carros, gritos e flashes. Pensamentos passam, e lembranças também. E o aperto de saudades do meu tamborim enche meu peito de batuque, cavaquinho e atabaque.

E a tradição vai se manter: eu sambo pra viver, e vivo pra sambar. E a chuva a cair, e o vento a soprar. O mundo gira, não pára nunca, e eu vou andando, caminhando lépida e sempre, correndo em direção ao arco-íris. Fujo do infinito, do céu e do outono, sonho com a Lua, e um perfume de gardênia vem me inspirar a noite, e um céu azul desanuviado amanhece na primavera de cheiro de terra molhada e plumas flutuantes. Estas sim, de vida curta, são como eu, dependem do vento pra assoprar. Já não disse o poeta, o grande maestro, que felicidade tem fim, como o carnaval?

Logo em frente, tem um palco. Subo as escadas e vejo tudo do alto. Luzes me cegam, e o barulho se agita em cortinas de metal e jasmim. E olhos a me procurar. Olhos a me fitar. Olhares que fogem, se encontram, e depois furtam mais alguns minutos de minha existência. Uma mecha escorre pela testa, por causa do vapor do ventilador. Estranheza, coração, surpresa, emoção.

Uma mensagem, duas, três. Guardo logo tudo de uma vez. Canto o parabéns, dou um rodopio, giro num pé só, pulo amarelinha, caracol e giramundo. Pensamento imundo de um insano trapalhão. Mundo tosco de uma noite de verão.

E viva eu, viva tudo, viva o mico narigudo! Viva nós, viva a chuva, viva o cheiro e o olhar, viva o presente e o que virá, viva o céu, viva a roda, o sorvete, o creme de leite e a lanchonete, o submarino, o submerso, o submundo, e o subversivo, o tropicalismo, o tropicaliente, o leite quente, e o invisível, viva o não-dito, viva o pensamento, viva a vida, VIVA!

Ana.
(Texto e foto.)