(*) Burning Sky - Belo Horizonte/MG - Photo, Art: Ana.
Um blog sobre uai, sô, véio, contos, causos, sentimentos, pão-de-queijo, crônicas, broa-de-fubá, cinema, literatura, fotografia, arte, poesia...
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10 novembro 2009

Cimento cozido

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Solzinho

O silêncio cega, mutila minhas mãos.
Aleijada, sigo no pasto: comer, dormir, acordar, trabalhar.
O ritmo da cidade engole e cospe sangue e fezes
No mesmo prato
Digere ratos, tritura fracos.
Oprimida, sigo por entre os que oprimo
Odiada pelos que odeio
Destemida, despudorada.
No mundo que não é de marshmellow
O chão fofo cede lugar ao cimento duro e cozido
Não há nuvens suficientes
O calor derreteu
Não há ácido suficiente
A pele descamou, o cérebro dissolveu
E o menino atravessa a rua de mãos dadas com o acaso
Desnudo, desnutrido, desavisado.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

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26 outubro 2009

Reflexo

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Reflexo

Tenho medo do escuro
Do vazio de dentro e de fora
Tenho medo do barulho que ensurdece a mente e cega a canção
Prefiro a dor ao nada
Pois se nada é, não há escolha a fazer
Quem ama o nada, alguma coisa lhe parece.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

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18 outubro 2009

Warning

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Perigo, eu posso voar
Vou correr até me afogar
Perigo, eu posso sonhar
Vou comer até me acanhar
Perigo eu posso ser eu
Atracar os pés no chão e enxergar que é preciso sentir medo pra gente andar.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

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05 outubro 2009

Cegueira

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Éli-Pê

Um dia uma folha me assustou, num branco pálido cegou minha mente, calou meus ouvidos e secou pensamentos. Muito a sonhar, mais ainda a trabalhar, nada a criar, exceto vidas ao alcance das mãos, exceto páginas cheias de nãos.
No dia seguinte e nos outros então, caminhei errante por pedras rolantes, escadas íngremes que nada ajudavam a dura aventura de vomitar palavras, cantos e contos. Os pontos finais, coitados, serviam apenas a frases malucas, que só sentido têm a quem não tem alma, só juridiquês.
A cegueira da folha branca um dia passou. Como num estalo, um verso brotou fujão, quase me escapa o pensar, escorria pelo lado direito que nem fumaça de incenso, preguiçoso ele de se deixar escrever.
Sou adepta da escrita e do grito, mas sem a ajuda do grande irmão, doutor em senhas e códigos, nada sou, nada faço, não nado, não surfo, não vôo. Não falo, não vejo, não ouço. Será?
Comecemos então:
- Asdfg, maiúscula, vírgula, ponto, deixa estar.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

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25 agosto 2009

Desejos

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Faça um pedido, eu vou te mostrar.
Um desejo apenas, que vou te brindar.
Faça o que eu faço, vou te falar:
Uma moedinha vou atirar.
Jesus pequenino, me faça um favor,
Atenda o meu pedido, uma boneca e uma flor.
Uma bicicleta, pro menino ao lado.
E que tenha sempre comida no prato.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

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20 julho 2009

Tinta Preta

Porto Seguro, Bahia 173

Tantas palavras corrrem e a tinta escorre no tubo que roça com a língua entre linhas espaçadas de um caderno só. Afinal, é apenas um caderno, é apenas uma vida, uma caneta em sobrevida, que nem marca se vê mais. Se bem que diferença alguma iria fazer, já que a língua japonesa ou oriental que seja, dos confins de onde se originou meu artefato de escriba, não é coisa com a qual eu tenha intimidade.

E no interior de um quarto semi-escuro, a mão quase treme e teima em tecer porcas e pobres e desconexas letras, num desafio ortográfico para grafologista nenhum por defeito... O ponto vira traço, um pingo vira letra ilegível, não sei mais se é acento ou rasura.

Rabisco uma vírgula que nem pausa é mais.
Vira um ponto num ponto qualquer de aterrissagem da ponta fina de onde mina minha tinta.
Preta.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

12 julho 2009

Entre pés e costelas

Objetos :-)

(ou: Devaneios sobre ossos quebrados alheios)

Sempre torci o pé e para mim isso sempre foi uma coisa "normal" e corriqueira. Sou completamente viciada em esportes e na escola jogava queimada, ginástica olímpica, corrida, futebol, natação, ping-pong, basquete, handball, vôlei... Não parava quieta e minhas muitas atividades físicas sempre causaram dores musculares e algumas leves contusões, nada que me prejudicasse muito.

Só que essa "normalidade" toda, um dia se tornou estranha pra mim, depois de uma conversa com minha tia, que é psicóloga. Este papo ocorreu após o seguinte acontecimento: estava em minha casa, num dia de folga do treino, rodopiando como uma louca meus fouettés an tournant. Eis que escorrego, viro o pé e caio no chão, da mesmíssima forma que eu já caíra inúmeras vezes nos treinos na escola de ballet. A diferença foi que a torção no pé foi bem feia, inchou muito, e por pura sorte não rompi todos os ligamentos do tornozelo (assim disse o ortopedista durante a consulta)...

Nesta época, minha vida estava uma loucura e não sabia onde iria parar com tanta gandaia, não sabia o que queria da vida, entre outras coisitas que permeiam a mente e a vida de alguns adolescentes tardios (como eu). Segundo minha tia, esta torção no pé simbolizou minha falta de rumo e acabou que, obrigatoriamente, me forçou a parar e repensar sobre minha breve vida, durante as muitas sessões de fisioterapia a que tive que comparecer a fim de andar e dançar de forma normal novamente. E não é que deu certo?

Pensando por este lado, faria sentido, então, alguém quebrar a costela quando se está passando por dificuldades emocionais, sentimentais, quando se está insatisfeito com escolhas que se anda fazendo, "amorosamente" falando... Pensem bem, o esqueleto humano é composto por 206 ossos (segundo a wikipedia), e o ossinho localizado no tórax - a costela - foi o escolhido por Deus para confeccionar a mulher, aperfeiçoando (em termos) sua criação original - o homem...

Religiões e devaneios à parte, na dúvida na dúvida é melhor prestar mais atenção no chão em que pisamos - e não fazer fouettés an tournant em piso com sinteco!

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

05 julho 2009

Terapia do Papel

O menino aprendeu a usar as palavras.

A terapia do papel continua, uma saga que não terá fim, ao menos não enquanto me restar tinta e caderno, ainda que não disponha de uma "Montblanc" ou sequer de um "Moleskine" (ambos virtuosos iniciados em "mo"!?).

Ando cheia da unha que cresce, obrigando o esmalte a ser substituído precocemente.
Ando cheia do porteiro azul e da cobra com gestos de bebê chorão. A mim não enganam, não perderei a razão.
Ando cheia das consultas e do soar do telefone, do aparelho ortodônitico e da gordura localizada.
Quero cuidar de patas quebradas, do amor que resiste.
Quero descansar à base de água de côco, sol, sal e mar.

Mas... Ainda estou aqui;
Ciao, vou ao bar.

Ana.
(Texto: Ana Letícia)
Foto de uma página da seção FOCO da Revista Caras, 2008.

23 junho 2009

Arrebatador (*)

Sem cabeça
(*) Texto original publicado aos 14.06.2007.

Vou parar de fingir que não estou nem aí. Vou parar de fazer ironias e dizer coisas sem sentido, e nunca falar o que eu quero de verdade. Vou parar de fingir que estou tranquila no meu canto e que não penso em você a todo instante.

Vou parar de fingir que não quero falar com você todos os dias e parar de fazer o tipo “ocupada todo o tempo”. Não mais fingirei que não fico todos os dias te esperando dar um sinal de vida, tomar mais uma pílula que seja de sua atenção.

Não vou mais fingir que não me decepciono, que toda a minha agressividade, ironia e sarcasmo não são em decorrência de faltas e atitudes.

Não falarei mais com você sobre coisas não corriqueiras, mas sobre como foi o meu dia, perguntarei como foi o seu, admitirei que faço planos, sonho, penso e programo um monte de coisas, erro, grito, xingo, faço xixi e tremo choro quando estou com raiva.

Vou parar de fingir que não me lembro do seu toque, da sua voz. Vou parar de fingir que não me apaixonei por você.

Quero ouvir todas as suas letras, não só as entrelinhas. Quero parar de decifrar símbolos, palavras, reações. Quero simplesmente ouvir que me quer e nada mais. Simples assim.

Vou te falar uma só coisa: esta não é só mais uma historinha de amor, dessas que a gente menciona pros amigos, filhos e netos, um caso, uma aventura, algo que morreu por aí.

Vou parar de enrolar e dizer de uma só vez: eu quero que seja arrebatador.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

26 maio 2009

Andares

Esquadros

Falta algum tempo que eu não sei quanto é.
Angústia é não saber de mais nada quando já se sabe muito.
Sobram lágrimas sobre os pés pintados que eu não sei onde vão.
Felicidade é saber
Amor é querer
Cotidiano é sofrer
Viver é morrer.

Ana.

(Ana Letícia: foto e texto.)

20 maio 2009

Os dentes e os trapos

A terra é redonda

O dia passa lentamente, as horas escoam pelos cantos da mesa, já nem sei onde estou. Minhas palavras, que não são poucas, mal são ouvidas, balbuciadas por mim nas horas de torpor. Em meio a tanta gente, vejo você em seu olhar leonino, penetrando entranhas e sugando minha carne com a ferocidade de um gatinho assustado querendo se aconchegar.

Do outro lado da rua, um pomar de águas-vivas sobrevive à sequidão sentimental, que atualmente cisma em jogar dardos com seu parceiro noturno, animador de festas, passatempo de andarilhos e agente inebriante de algumas mentes que se esqueceram de um dia brilhar. E, ao cruzar contigo, me deixo invadir pela onda de seus fartos cabelos. Submersa em meias palavras, curo a ressaca do dia que se tornou noite, após longos caminhos de fumaça vermelha e vapor de poeira estelar. Ignoro o veneno que me queima a pele, causado por viva água, bela e suculenta, fingindo gostar de sofrer, de rolar em chão de espinhos gelatinosos.

Uma missão cumprida na sujeira azul de um planeta chamado Eu, varrendo pensamentos e espantando carniceiros. Roubam a vida das águas, lhes retiram o sal. Sem suor, sem lágrimas, corro a seu encalço, lhe prendo as vestes sob postes e luares e tasco um belo de um beijo que nunca se esquecerá.

O mundo some e o dia acaba, esquecemos de tudo e falamos de um nada tão distante que nem sabemos da dor que se fez riso. Do branco do seu dente cariado ou do redemoinho que restou de meus trapos.

Ana.
(Ana Letícia: texto e foto.)

03 maio 2009

Cruzadas

Lua Gigante

E eu que nunca fui santa, um dia aprendi
A subir no salto e não cair em falso
Pés que se cruzam numa rua torta chamada amor.

E eu que nunca fui besta, um dia freira tornei
Na sexta-feira me atrasei, beata virei, num reza e lava sem parar
Mãos que se cruzam em prece e tocam o coração de quem passar.

E nós que somos tudo e não somos nada
Que somos juntos e estamos surdos
Calados no meio do barulho do mundo
Gritamos na rua torta pra ninguém escutar
Cruzamos os dedos e caímos juntos
E tocamos os pés com o luar
As mãos sob lençóis pescam paisagens e anzóis

Amor de dois
Dor depois.

Ana.
(Foto e texto: Ana Letícia.)

25 abril 2009

Natureza viva (morta)
simples tom em si maior
me faz ser menos eu
me faz ser menos tua
me faz ouvir o que eu não quero
e dizer o que eu não sei
se eu não sou eu
e se nem ao menos sei quem sou
aonde vamos chegar com tanto quiprocó?
sem um sorriso, uma cova de estar
um laço na estrela
um nó no meio do mar
não chego
não falo
não sou perfume, vinho, pó.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

06 abril 2009

r.a.r.e.f.e.i.t.o.

Soberbo

a cegueira do silêncio da noite
te nega e custa a chegar

não quer o gosto do oposto, o jeito do não
abraça o chão
inflama o vermelho, queima, dói
faz cortar
e não me fale de flores quando as dores insistem em ter razão

joga os dedos ao vento e o espera
como um alento para a cara secar
pútrido e abatido, parado e sofrido, ele chega
sem nem assoviar
derrete em carne a pele - parafina e pó-de-arroz
estanca a cicatriz com estopa de algodão-
-doce ilusão
a casca se quebra
tinge rubros cabelos e lençóis
levanta poeira e o elo liquefeito
é raro efeito
desfazendo-se em tuas mãos

com licença, é preciso sorrir
na esquina compre pílulas de felicidade
torne a dormir.

Ana

(Texto e foto: Ana Letícia.)

24 março 2009

Impossibilidades Reais

Fitas

Eu nunca não tenho nada a dizer, mas sou bom ouvido.
Só que ouvir às vezes cansa.

Humor intalado, amor enlatado, às vezes é bom usar um abridor, girar a torneirinha e deixar fluir. Sai casca, sai sangue, sai lágrimas, sai dor...
E vai embora pelo ralo.

Escorre um beijo no canto da boca, molha o molho do tom maior, que cai na clave de sol fazendo chuá.
Toca o sino pra parar de chorar.
Dia de oração, é dia de respirar.

Homenagem aos dias que se foram, saudades dos que estão por vir.
Se chorei ou se sorri, tudo vale à pena, se a alma da pequena, inflada de poesia, flutua por aí numa nau de emoções vividas, caras partidas e braços torcidos.

E chego à conclusão: amar nunca é demais.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

02 março 2009

O Começo do Fim

Give me the light

E se a vida começa agora, o passado foi um ensaio.
Marionetes esquecidas num palco de dor e cor. Vimos brilhos e luzes, vestidos, pétalas de cor. Mas não estávamos vivos: manequins de vitrines sem coração... Não conta.

E se o ano começa agora... um, dois e... já!
(Aguardo acontecer.)

Tudo permanece igual, intocado. Ciscos de poeira pairam sob os raios da lâmpada halógena, acima de nossas cabeças. Nem um pio. Nenhuma alma. Apenas um cachorro molhado me encara, com ar de abandono. Cheira a beirada do vidro, e o focinho molhado encontra só cimento frio. Eu, impassível. O canino faz um muxoxo, franze as orelhas e crocita desesperado. Nada. Olha em torno, olhos de gato rompem o silêncio. E lá vai ele, se distrair com novas aventuras.

Sinto um cheiro doce inebriante. Será este o cheiro do mel? Algo coça meu nariz... Atchim! Pimenta, só pode ser. Um movimento em falso, dispara o alarme. Manequins também querem viver! Não apenas brincamos de faz-de-conta-que-é-assim.

Temperamos o foundue de nossas roupas com a mistura de sonhos e pulsos vibrantes. E a luz que cega a noite tromba em outros pés e outros cheiros. Tropeço por várias vezes, desacostumada a caminhar.

Será que viver é assim?
Cair, levantar?
Ensaiamos o futuro, vivemos no passado.
E o presente, sempre ausente, cai como um raio.
Relâmpago chega e já foi.
E se a vida começa agora...

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

03 fevereiro 2009

Memorial

Mosaico, quebra-cabeça, ou jogo da memória?

Temo pela memória dos faróis, entes frios e empostados, vendo tudo quanto há, até o homem a pastar pães amassados, até mães desmanteladas. São asas quebradas de pássaros sós.

Temo pelo som que nunca ouvi, tremo pelas melodias dos vitrais empilhadas nos lençóis da sua cama de bilhar, manchada pelo fungo, pelo fundo do meu poço que empoçou em sua mente, e não te saiu da cabeça. E não pôde dormir mais.

Pilhei uma quimera da horta do rei. Gravei um escudo em cada ponta dos dedos. Impressões digitais padronizadas em polegares estranhos... Escadaria em paredes? Não, notas e gestos particulares, como processos mnemônicos para não esquecer o que ainda está por vir -- explico, ainda atônita, já que pleonasmo demais causa excesso às vistas.

Vísceras encharcadas relembram DNA derramado em mesa de estar, noite anterior, calafrios e caipirinhas. E o virol do esquecimento cobre, impiedoso, quem não sabe nada e de tudo se despede, sem saber se já foi ou se ficou. Mais ou menos como postes e faróis, inanimados, empertigados, empoeirados seres invisíveis, imóveis, hiatos.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

28 janeiro 2009

Butecando

Uvas?

A boca queima o que está dentro do estômago. E o garçon? Congelado em cima do bar, onde os pães-de-alho não têm alhos, mas sim tomate seco. Peço dois, traço três. Gentileza da casa de pimenta no cacho.

Estrupício decide, então, o reino pelo gabola, e os sem-noção apagam as luzes que alumiam apenas asas de mariposas rodopiantes. Sozinhas no escuro, cantam melodias de comédia em pó. E haja ouvido para quem quiser escutar.

Só não se sente ao lado, ali, naquela mesa do bar.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

***

Extra! Extra!

Darío Velasco expõe no dia 30/01, em BH na 4ª Edição do Quadrinho Nacional!

(Acesse também o Na Capa e leia a matéria sobre ele na Trapiches.)

20 janeiro 2009

Se A, então B

Filosofia de banheiro

Sonhei com números, acordei dividida.
Multipliquei dúvidas por aliterações
Dividi o sonho entre dor e paz.
O que me restou?
Paixão e sentimento exponencial
Amor: número primo, indivisível.
A raiz quadrada do sonho se desfaz
Sobra sexo, sono, som, fumo
Atos cotidianos que tendem ao infinito
Acordar, urinar, continuar
E sonhar acordada com cifras e milhares de milhões
Acasos formam efemérides e me dão noites sem dormir
De cor
Decoro
O coro
Decifro números, incógnitas e palavras
Frases lógicas brotam
Intrínsecas ao ser ou não ser
Senão, nada mais irracional que
Não estar
Não ser
Não te ter.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

02 janeiro 2009

Em pílulas

Miudeza

Eu não tenho um ângulo bonito
Não tenho paz
Não tenho pás
Nem sei como se faz
Ou se é atrás.
E se você não tem lóbulos
Dê-me logo meus glóbulos
De açúcar para remediar
Minha falta de ângulo
Minha falta de dor
De cor
De amor teu.
Quero gotas maiúsculas
E coisas minúsculas
Para guardar por entre minhas curvas
Dentro de meus retângulos circunflexos
De sentimentos convexos
Ósculos e amplexos
Que um dia você me deu.

Ana.