(*) Burning Sky - Belo Horizonte/MG - Photo, Art: Ana.
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24 julho 2007

L'adieu a Belle

A hesitação em publicar aqui as seguintes palavras refletem a a tristeza de dizer adeus...

Uma grande amiga, uma maravilhosa escritora, que prima pela perfeição em tudo que fala ou faz.

Pois é, pessoas, a Bela decidiu não mais publicar seus escritos por aqui... Quem quiser ler mais de suas palavras terá que aguardar... Quem sabe um livro? Uma peça processual? Uma sentença?

Vindo da Belle, não duvido de nada, esta garota talentosa, inteligente e muito perspicaz promete uma carreira de sucesso, uma vida de brilhos e brios, perfeita, como ela é!

Então, amiga Bela, obrigada por todos os textos, todos os helps, pela companhia, pela compreensão e paciência...


Beijos das...

Mineiras, Uai!

Ana e Dô.
(Que já foram 3, foram 4, ficaram 3 novamente, e agora são só 2!)

18 junho 2007

Candy

O nome nos remete a algo doce, suave, ao sabor de alguma delícia açucarada que derrete lentamente no céu da boca. E assim Candy parece ser. Ela é jovem, bonita, uma pintora talentosa. É querida pelos pais e amada por Dan. Mas Dan e Candy não são um casal como outro qualquer. São um casal de viciados em drogas pesadas que tentam levar uma vida comum, incluindo casamento e filhos.


Mas a vida se encarrega de mostrar a eles que os problemas devem ser encarados de frente, com coragem e perseverança, e que todas nossas ações e escolhas um dia nos serão cobradas. Tudo tem seu preço, e a realidade não tem pausa que nos permita parar e refletir sobre o estrago que causamos à nossa existência.
O filme australiano Candy nos leva ao céu, à terra e ao inferno com o casal vivido por Abbie Cornish e Heath Ledger, ilustrando com maestria como o império da droga é capaz de aniquilar os desejos, as fantasias, a ambição e a esperança de um ser humano.

Mas não se enganem: Candy não é doce. Pelo contrário, saí do cinema com um gosto amargo na boca e um aperto no coração. Não há nada mais aterrorizante que o espetáculo da juventude desperdiçada.

Pra quem é de Belo Horizonte, Candy está em cartaz no Usina, Rua Aimorés 2424, Santo Agostinho.

Candy, Austrália, 2006. Direção: Neil Armfield. A produção também conta com o excelente Geoffrey Rush no elenco.


BELA

Paixões cinematográficas

Isso sempre acontece comigo: eu me apaixono por personagens! Seja em filmes ou em livros, vira e mexe eu me vejo suspirando pelos “mocinhos” da ficção. Em filmes, com a ajuda dos atores, fica muito mais fácil me apaixonar, claro, e eu costumo usar como desculpa a qualidade dos filmes para me deliciar vendo e revendo as aventuras (e desventuras) dos meus queridos:

Dickie Greenleaf

Ele ama jazz, toca saxofone, tem um barco e uma casa na praia. Tem muitos amigos, vida social movimentada, estilo para se vestir, o bom gosto e a desprecupação daqueles privilegiados que sabem desfrutar o que a vida tem de melhor. Como bem definiu uma personagem de O Talentoso Ripley, “quando Dickie olha para você, o céu se ilumina, tudo fica maravilhoso”. Tirando a parte de que não faz nada da vida e vive às custas do papai, Dickie, encarnado por Jude Law, me conquistou sem um mínimo de esforço. Basta ouvir os acordes de “Tu vuò fa l´americano” para eu me derreter, e olha que essa paixão já tem lá os seus dez anos...

Rhett Butler

Inteligente, sarcástico, perspicaz, debochado, personalidade é o que não falta ao herói de E o vento levou, interpretado magistralmente pelo saudoso Clark Gable (e o bigodinho dele é um charme, não é?). Mas ele não me engana: a sua vontade de escandalizar a sociedade dizendo tudo o que passa pela sua cabeça e rejeitar todas as imposições da moral e dos bons costumes não passa de uma profunda carência de amor feminino. Nada que não se resolva com um bom cafuné. Decididamente, não há mulher mais burra que aquela Scarlett O´Hara!

Átila

Eu sei muito bem que o verdadeiro Átila era um baixinho invocado. Ainda dizem as más línguas, ou melhor, as fontes históricas, que o Rei dos Hunos não atingia o metro e meio. Mas o Atila vivido pelo Gerald Butler é bem diferente, e põe diferente nisso! Másculo, olhos azuis, cabelos longos, olhos azuis, corajoso, olhos azuis, e ainda por cima dedicado à mulher que ama. Precisa de mais alguma coisa?


Buddy Threadgood

Interpretado pelo fofinho Chris O´Donnell, Buddy aparece no máximo uns cinco minutos em Tomates Verdes Fritos, mas foi o suficiente para eu sucumbir ao seu sorriso com covinhas, à sua simpatia e ao seu jeito brincalhão. Nem vou falar muito dele, pois isso me deixa triste, muito triste. Quem viu o filme sabe o porquê.

Willoughby

Apesar de se revelar um mau-caráter no decorrer de Razão e Sensibilidade, não há como resistir à sua primeira aparição no filme, montado em um cavalo branco, no meio de uma tempestade. Seu porte elegante aliado às maneiras de gentleman, como trazer flores e carregar no colo donzelas machucadas, contribuem consideravelmente para o aumentar seu sex-appeal. Sem contar que ele leva uma edição dos sonetos do Shakespeare no bolso e os recita de cor! Mas, como eu já disse, ele não é flor que se cheire. Uma pena!

Aladim

A Disney acertou em cheio ao criar o simpático “protagonista” do desenho Aladim! O hilário gênio dublado por Robin Williams até tentou, mas não conseguiu roubar a cena do herói deliciosamente trambiqueiro. A paixão era tão forte que eu chegava ao cúmulo de pausar a imagem do Aladim na TV, pregar uma folha em branco na tela e desenhar o contorno do rosto para colar na parede do quarto, acreditam? Mas podem me dar um desconto, pois eu tinha “apenas” uns treze anos.


Decididamente, há coisas que nem Freud explica...

Texto por: BELA

11 junho 2007

Vide Bula

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

Já está provado, sem os homens a vida seria muito sem graça. Quem abriria os potes ou trocaria as lâmpadas da casa, consertaria o ferro de passar roupas e cortaria o peru do dia de Natal? A não ser que você seja fã incondicional da saladinha sem azeitona e sem palmito, da sala escura e sem iluminação, e de roupas amarrotadas, comece já a dar mais valor ao homem da sua vida.

MAS (sempre existe um porém), sabemos que lidar com seres heterossexuais do sexo masculino não é tarefa das mais simples, nem das mais doces. Não é como tomar um xarope com sabor de cereja, por exemplo, mas também não chega a ser tão amargo quanto uma dipirona sódica. Agora, uma coisa que todas nós temos certeza, é a de que no que se trata de lidar com nossos homens no dia a dia, não pode faltar uma neosaldinazinha básica dentro da bolsa!
(Isso para não falar em Prozac, minhas caras, item obrigatório, of course!)

Nestes termos, nós, as “Mineiras, uai!”, resolvemos facilitar a tarefa de vocês compilando as nossas M.E.L.H.O.R.E.S dicas neste pequeno “Manual de Instruções” que conseguimos amealhar com nossa modesta (ok, nem tão modesta assim) experiência.

"Manual de Instruções:
Namorado - Como usar e abusar em diversas situações"


Dica 01. Recebendo uma massagem

Nunca peça de cara: “Benzinhoooo, me faz uma massagem?”. Porque o puro e simples pedido de uma inocente massagem nos pés afasta imediatamente o namorado para milhas de distância, e de quebra ainda poderá alegar uma dor de cabeça, dor nas juntas, enfim, qualquer outro mal imaginário que o impeça de fazer uma massagem gostosinha.

Sendo assim, proponha algo mais excitante e estimulante à mente masculina: que tal uma competição de quem é o melhor massagista? Homens adoram competição! Diga que a sua massagem é a melhor do mundo, beeem melhor que a dele, a mais demorada, a mais relaxante... Prepare-se para vê-lo caprichar!
(Mas depois da vez dele, não se esqueça de caprichar você também na sua massagem, e deixe seu muchacho nas nuvens!)

Dica 02. Escolhendo o restaurante

Não diga: “Amoooor, vamos àquele restaurante XYZ carérrimo comer souflé?”. Ao contrário, peça para ele verificar por si mesmo se seu famoso souflé de queijo brie não é muuuuito mais gostoso que o daquele restaurante (omita o $$$ nesta hora). Obviamente que ele vai, de cara, dizer que a sua comidinha é muito melhor.

Porém... Aí é que está o ó do borogodó, minha amiga. Dito isso, você prometerá que, caso vocês vão àquele restaurante chiquérrimo e carésimo, fará especialmente para ele a sua receita do tal souflé em um jantar super romântico e especial no próximo final de semana, o qual você financiará tudo, e ele será servido como um rei por você, que estará usando uma lingerie nova (seja bastante enfática quando pronunciar a palavra lingerie).
De quebra, garantimos que ele ainda vai fazer questão de pagar a conta do restaurante chique!

Dica 03. Convencendo-o a ir às festas de família

Quando se trata de festa de família, nunca comece assim: “Ou você vai no casamento da sobrinha da prima da minha tia avó ou eu termino com você!”

Regra número um: não ameace. Namorados odeiam ser ameaçados, pois não há nada pior para um homem que ser coagido a fazer algo que ele não quer. Ameaçar terminar o relacionamento. então, é a pior saída, pois você corre o risco de ele aceitar o término e tudo ficaria ainda pior pro seu lado. Imagina ir solteira no casamento daquela sua prima nojenta? Ou ir ao aniversário da tia solteirona sem seu boffe à tiracolo? Nunquinha!

Regra número dois: faça uma boa introdução ao assunto. Comente com ele como você A-D-O-R-A recepções de casamento, que sempre têm comida boa e bebidas excelentes e que não vão gastar nada por isso (enfatize as palavras "bebidas" e "gastar nada"), sem contar a música agradável, que sempre os faz animarem mais e mais e dançarem até o sol raiar, e o quanto é engraçado ficar reparando no mico que as pessoas passam com as roupas barangas que as outras mulheres usam, as maquiagens de frankstein, e os cabelos a lá "Família Monster"... e por aí vai.

Regra número três: o convite. Quando ele já estiver bem animadinho com a sua introdução, interagindo bem com o assunto, diga assim: “Nossa! Por falar em casamento, acabei de me lembrar! Dia tal será o casamento de fulaninha, sabe, você a conhece, uma súper gente boa, engraçada pra caramba, filha da prima da minha tia avó, Tia Ciclana! Aquela, amor, que faz o bolo prestígio com cobertura de trufa que você a-d-o-r-a! Não é o máximo? A gente vai se divertir, beber e comer horrores!”

Garantimos que ele estará dando pulinhos de alegria neste momento, e fará questão de te ajudar a comprar o presente!

Dica 04. Censurando a roupa

Não diga: “Você NÃO VAI usar regata pra sair comigo sábado à noite de jeito nenhum!”

Apenas explique ao seu namorado que ele pode, sim, usar a roupa que quiser para ir ao cinema com você, desde que, se quiser usar regata, deveria depilar os pêlos das axilas, assim como você o faz quando veste blusa de alcinha.

Roupa descombinada, então, é um grande problema. Mas não expresse de forma alguma o seu espanto com o modelito do rapaz fazendo caretas, torcendo o nariz, ou mesmo tentando fazer alguma "crítica construtiva". Além do mais, ser direta nestes casos é comprar briga na certa.

Como proceder? Oras, apenas comente, educadamente, e sem ironias: “Meu amor lindo, não sabia que você era daltônico!”. Ele vai se espantar, confirmar que não é daltônico e perguntar inocentemente: “Uai, por quê???”. Daí você pode dizer, cuidadosamente, que calça marrom não combina com blusa xadrez azul, verde e rosa e tênis vermelho com amarelo fosforescente. Ele ficará feliz de ser alertado, admirará sua capacidade de seguir as tendências da moda, e ainda permitirá que escolha a roupinha a ser usada!

Dica 05. Escolhendo o filme na locadora

Não recuse categoricamente a ver “Vermes Sanguinários 6 – A volta dos que não foram”, ou "Alien x Demolidor - Parte 2".

Tenha em mente – muita atenção nesta hora, dissemos apenas para ter EM MENTE – o que você gostaria de ver como primeira opção de filme, por exemplo, o lançamento “A pequena Miss Sunshine”, ou “A Marcha dos Pingüins”, ou ainda, a 4ª temporada de "LOST".

A partir daí, comece a insistir para alugar um filminho bem meloso e ultrapassado, do tipo “E o Vento Levou”, "A Noviça Rebelde", “O Casamento de Meu Melhor Amigo”, “Tomates Verdes Fritos” ou "A vida é bela".

Acredite, ele vai tentar negociar com você – homens são mestres nisso – e acabará ficando feliz da vida em assistir os filmes que você já tinha em mente desde sempre. "Pequena Miss Sunshine" parecerá a ele um excelente filme de ação, com direito a conflitos psicológicos e joguinhos mentais, quando comparado a uma "Noviça Rebelde" da vida...

Dica 06. Escolhendo a programação num dia especial

A maioria absoluta dos homens só pensa em três coisas (além de sexo, óbvio):
a) cerveja;
b) futebol; e
c) mulher.
Necessariamente nessa ordem.
Como ele já está com você, não esquente a cabeça com o item c.
Para escolher a programação num dia especial para vocês, vale a mesma regrinha do filme, Dica 05 acima.
Ou seja: concentre-se bastante, antes de saírem de casa para aquele dia especial, pensando no que você gostaria de fazer – o que já exclui, obviamente, ir a algum “boteco copo sujo” e, claro, ir ao Mineirão assistir Democrata x Vila Nova.

Desta feita, faça a sugestão de um local que você sabe que ele não gostaria de ir de jeito nenhum, e prepare-se para negociar, minha filha! Temos certeza de que a noite será boa.

Dica 07. DR – Discutindo a Relação

O DR nunca é tarefa fácil, nem para as pós-graduadas no assunto. Saiba que não existe boa hora para isso, não existem palavras ou frases feitas. Ensaio? Nada disso, só pioraria a situação.

DR não precisa ser ruim, chato, não precisa ser para decidir nada. Pelo contrário, pode se tornar até mesmo uma forma de vocês trocarem idéias mais profundas, fazerem planos mais concretos, esclarecerem algumas situações, conversarem como gente grande, sem o cuti-cuti habitual.

Nem por isso precisa deixar de ser bastante carinhosa e autêntica, falando sempre dos seus sentimentos, de forma cuidadosa para não magoá-lo à toa!

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Bom, sabemos que não somos experts no assunto, afinal de contas, sempre erramos e quebramos a cara, e tentamos novamente, e quebramos a cara de novo etc, etc, e tal... Afinal de contas, relacionamento amoroso não é uma ciência exata, é preciso ter muita calma, paciência, bom senso, diálogo, diálogo, diálogo, diálogo...

E no clima comercial-romântico que se instalou em todas as vitrines ultimamente, bom dia dos namorados (para não dizer, ‘dia dos embasbacados’) a todas nós!

Ana e Bela
Mineiras, Uai!

Ps.: Aceitamos colaborações ao presente "Manual" via e-mail ou caixa de comentários abaixo!

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08 junho 2007

Se eu fosse...

Se eu fosse uma planta, não seria espinhosa como uma rosa nem espaçosa como uma samambaia. Acho que eu seria um girassol, com raízes fortes plantadas na terra, cabeça erguida, olhando para o sol.

Se eu fosse um animal, não seria cruel como um tubarão nem fria como uma cobra. Acho que seria afável e confiante como gatinho dormindo num canto do sofá.

Se eu fosse uma cidade, não poderia ser cosmopolita como Londres nem luminosa como Paris. Acho que seria tranqüila e calorosa como Belo Horizonte.

Se eu fosse um dia da semana, não poderia ser tão promissora quanto uma sexta-feira, mas também não tão entediante quanto um domingo... Acho que eu acabaria sendo banal como uma quarta-feira.

Se eu fosse uma música, não seria tradicional como o hino nacional nem tão cacofônica como um funk carioca. Talvez eu seria uma ária de Ópera, de preferência saída de La Traviata.

Se eu fosse uma estação, não seria alegre e esverdeada como a primavera nem tão gelada quanto um inverno rigoroso. Acho que eu seria um outono dourado, com muitos aromas pairando pelo ar.

Agora, se eu fosse um feriado, com certeza escolheria uma sexta-feira no calendário, porque feriado em quinta feira é uma chatice, principalmente quando a maioria emenda e uns poucos ficam mofando em seus escritórios!


Bom feriado para todos, menos pra mim, que sobrei aqui...

Beijos,
Bela.

03 junho 2007

Investimentos

Dinheiro BEM GASTO, para mim, é aquele utilizado para a compra de livros, CDs e DVDs.

Todo mês reservo uma verba para isso, mas, é claro, às vezes eu acabo extrapolando(os livros no Brasil são exorbitantemente caros!), como esse mês, por exemplo. Mas estou longe de me arrepender, pois acabei me apaixonando pelas minhas últimas aquisições, ou investimentos, se preferirem:


DVD - Assim Caminha a Humanidade (Giant- 1956)
Apenas por ser o último trabalho do James Dean já vale a pena (o "rebelde sem causa" morreu tragicamente antes da produção terminar). O filme é passado no Texas, aproximadamente entre os anos 20 e 40, e conta a história de várias gerações de uma família poderosa, que vive da exploração de uma enorme fazenda. O personagem de James Dean é um cowboy empregado da fazenda que vê sua sorte mudar ao herdar um pequeno terreno no meio das terras do patrão. Esta herança muda irremediavelmente sua vida, assim como a de todos que o cercam. O resto da história você só vai saber vendo o filme, pois eu não quero estragar o prazer de ninguém! O filme ganhou o Oscar de melhor diretor e foi indicado ao prêmio em outras nove categorias, e, mais importamte que tudo isso, ganhou o lugar de honra entre os meus filmes prediletos! (Ponto alto 1: Um CD inteirinho de extras! Ponto alto 2: Comprei o DVD em uma promoção, numa loja no centro da cidade, pagando por ele menos de um terço do valor normal!)

Livro - Madame de Pompadour - Christine Pevitt Algrant
Comprei esse livro às cegas, sem nenhuma recomendação, em uma das minhas andanças pelas livrarias (muito bem acompanhada pela Anita, por sinal). Desde que eu me apaixonei por biografias estava querendo ler uma da Madame de Pompadour, a favorita do rei francês Luís XV, mas não tinha conhecimento de nenhuma publicada no Brasil. Assim que bati os olhos nesse livro, não hesitei em comprá-lo, após verificar que a autora é uma historiadora inglesa reconhecida internacionalmente. Não me arrependi! Esta biografia é rica em detalhes tanto do contexto político quanto cultural dos anos que antecederam a Revolução Francesa, traça um painel fascinante da corte de Versalhes, dos hábitos da nobreza, e de como eram tratados os assuntos do Estado nesses últimos anos do absolutismo na França. Inclusive, a autora não restringe a narrativa apenas à pessoa da Madame de Pompadour, mas, pelo contrário, nos apresenta aos demais personagens ilustres da época, como o próprio Luís XV, os intelectuais Voltaire, Rousseau, Diderot, etc. Uma coisa que me impressionou muito foi a quantidade de mulheres da família real e da corte que morriam no parto ou em complicações pós-parto! Assim como as mulheres, as criancinhas também morriam como moscas, em decorrência da inexistência de diagnósticos e tratamentos eficazes (naquela época, quando uma pessoa ficava doente, a primeira providência dos médicos era "sangrar" o paciente, para "purificar o sangue". A consequência disso, obviamente, era o imediato enfraquecimento da pessoa, que, já debilitada, não tinha mais forças para resistir nem a uma simples infeccção!) E olha que o livro se restringe a mencionar as mulheres da classe privilegiada, a realeza, imaginem então como era nas classes menos privilegiadas! Enfim, o livro é muito bem escrito e surpreendentemente bem traduzido, uma leitura prazerosa e enriquecedora!

CD - Chet Baker - Jazz´ round Midnight
Acho que após o advento do E-Mule, eu sou uma das poucas consumidoras de CDs, mas quando eu gosto do artista, não consigo me contentar com um pirata ou simplesmente "baixar". Esse CD não é nenhuma novidade, mas para os amantes de Jazz é uma obra imprescindível, pois reúne as melhores interpretações do Chet Baker, dentre elas a música mais romântica do mundo , na minha modesta opinião, a belíssima Easy Living! É a trilha sonora perfeita para um jantar a dois à luz de velas, para namorar em frente à lareira tomando um vinhozinho, ou, simplesmente para ouvir em um momento de reflexão individual, para descontrair.
****
É isso aí, gente: dinheiro vai, dinheiro volta, mas o que você guarda na sua cabeça, isso ninguém pode tirar de você.

Bela.

14 maio 2007

Desabafo...

Pessoal, vocês me perdoem, mas tem algo bem angustiante me afligindo e eu preciso urgente desabafar.


A maioria das pessoas define o interesseiro como aquele que usa de suas amizades e familiares para obter vantagens e benefícios quando estes lhe são convenientes. Para o Aurélio, interesseiro é aquele movido única e exclusivamente pelo seu próprio interesse pessoal, ou seja, o egoísta. Mas para mim, o interesseiro é o ser humano mais ignóbil, desprezível e execrável que existe na face da Terra.

Para o interesseiro, você só existe quando ele precisa de você. Para o interesseiro, seu tempo e seu trabalho não valem nada quando se trata de “quebrar um galho” para ele. Para o interesseiro, a amizade tem hora marcada (a dele, é claro!). Para o interesseiro, o seu problema não existe, mas o dele é sempre URGENTE. E ele estará sempre pronto a pedir um “favorzinho”: ele jamais se rebaixaria a sujar seus sapatinhos na lama, pois sempre há um idiota pronto para carregá-lo no colo.

E pior que “amigo” é parente interesseiro: do amigo você se livra com um belo pontapé no traseiro, agora, do parente interesseiro você só fica livre quando ele bate as botas! E isso se ele resolver rasgar o CPF antes de você, óbvio!

Quer saber, da próxima vez que um interesseiro me pedir um “favor” eu vou responder: “Vá pedir pro João Sem Braço!”. Se eu não disser nada pior.

Humpf!

Pronto. Era isso.
Bela

23 abril 2007

Uma rainha

Há meses eu aguardava a estréia do filme Maria Antonieta da Sofia Coppola, e finalmente consegui assistí-lo semana passada.

Não decepcionou, pelo contrário, mas deixou um gostinho de quero mais no final, pois termina exatamente na melhor parte da história da rainha francesa, quando a família real é expulsa de Versallhes e fica à mercê dos revolucionários. É verdade que o filme deixa apenas entrever que a rainha foi uma personagem de um dos fatos históricos mais importantes da humanidade, e isso é imperdoável.

Maria Antonieta sempre foi uma personalidade controvertida. Desde que chegou à corte de Versalhes para se casar com o herdeiro do trono foi alvo das críticas e sátiras do povo francês, por simbolizar o luxo, a extravagância e a arrogância da aristocracia, tudo isso aliado ao fato de ser estrangeira, proveniente de uma das famílias mais poderosas da Europa, os Habsburgo.

A controvérsia começou ainda na época de sua morte, no fim do século XVIII: de um lado, tida como símbolo da arrogância da monarquia francesa e das falidas instituições do antigo regime, e de outro, admirada como uma mártir, sacrificada por fanáticos que se voltaram contra a ordem das coisas. Esse foi o objetivo dos biográfos de Maria Antonieta, resgatar a sua imagem como monarca, como representante de uma classe, e como mulher, com as limitações prórias de seu sexo na realidade histórica e cultural em que viveu.

O filme foi um pouco menos realista do que eu imaginava, sobretudo no que se refere às roupas, penteados e maquiagem usados na corte francesa na época. Talvez pela provável rejeição dos expectadores com o excesso de cabelos empoados (exigência imprescindível para frequentar a corte) e maquiagem carregada... Mas a produção também surpreende positivamente pelos toques de atualidade com músicas modernas e a incrível cena que foca um par de All Star no meio dos vários sapatos cheios de firulas da Rainha.

Mas acredito que o objetivo do filme tenha sido mostrar a rainha como mulher, em sua vida privada e íntima, ilustrando a máxima de que toda pessoa é o fruto de seu meio.

Maria Antonieta foi educada desde criança para ser um símbolo do poder das famílias reais, um ventre que traria ao mundo um herdeiro do trono francês, dando continuidade às linhagens e aos privilégios das classes dominantes. Com a perda de seu trono, Maria Antonieta pedeu tudo. Sua posição, sua fortuna, sua família e o respeito de seus súditos. E foi com muita coragem que ela viveu seus últimos anos de vida, suportando as humilhações dos revolucionários e as privações diárias a que era submetida, assim como a separação de sua família, a execução de seu marido, e seu próprio julgamento. E foi essa parte que o filme não mostrou...

Enfim, nos últimos anos, historiadores têm se esforçado para trazer à tona uma imagem mais equilibrada da rainha, nos mostrando que Maria Antonieta não foi uma mulher fútil e ingênua, como se imaginava, mas uma mestra em usar o glamour como arma para se firmar numa corte estranha e hostil, e uma mulher que lutou enquanto pôde por sua realização pessoal.

Virar ícone de uma época é destino para poucos, e assim aconteceu com Maria Antonieta. Por isso, conhecer um pouco da triste história de uma mulher que não soube reinar, mas que a tragédia conseguiu tornar uma grande mártir merece uma ida ao cinema (ou à locadora, em breve) e, obviamente, às livrarias.

***

As biografias mais completas e interessantes são as seguintes:


Maria Antonieta, Antonia Fraser (foto da mais recente edição) - Esta foi a biografia utilizada na elaboração do roteiro do filme de Sofia Coppola. A recente edição em português é bem traduzida e traz interessantes fotos das pessoas mais íntimas do círculo social da rainha. É bastante rica em detalhes, sem ser cansativa

Maria Antonieta, Evelyne Lever - Especialista na análise e compilação da correspondência de Maria Antonieta, a historiadora francesa traça um perfil da rainha baseado nas cartas enviadas a familiares e documentos oficiais.

Maria Antonieta, Stefan Zweig - É um trabalho mais conservador, que foca mais a rainha como personalidade pública, deixando em segundo plano sua vida íntima. É uma biografia que deve ser valorizada pelo rigor e exatidão históricos do período.

Texto por Bela.

17 abril 2007

Olha quem está miando...

Eu não entendo os humanos! Venho me esforçando há alguns anos, e ainda não consegui tirar nenhuma conclusão sobre seu comportamento bizarro.

Antes de tudo, os humanos se dividem em duas categorias: os que gostam de gatos e os que nos detestam. Sim, porque nesse caso não existe meio termo: ninguém é indiferente a um felino.

Mas, como eu ia dizendo, foi um humano que me jogou na rua, me separando dos meus irmãozinhos. Mas também foi um humano que me recolheu lá no meio da trincheira cheia de carros, molhado de chuva e esfomeado. Ele cuidou de mim com carinho, mas como na casa dele tinha um cachorro (eca!) que não gostou de mim, não pude ficar com ele.

Os humanos se acham muito espertos, mas esse, apesar de muito bonzinho, achou que eu era fêmea e me chamava de Bel. Até que um dia chegaram duas moças lá na casa dele, me pegaram no colo e me levaram embora numa caixa. Achei que elas eram simpáticas, mas elas me entregaram para um humano grande e sem pêlos na cabeça que me espetou com uma injeção, mexeu dentro das minhas orelhas e da minha boca, levantou o meu rabo para olhar o que tinha embaixo. Detestei, mas pelo menos ele descobriu que eu sou macho, pois isso já estava começando a me incomodar. Depois disso, as duas moças me levaram para a casa delas, me deram um pote com água e outro pote com ração. Nesse lugar também tinha outros dois humanos. Gostei deles de cara, até deitei no colo deles no mesmo dia! Nesse dia eu também ganhei um nome decente: Miró!

É, as duas moças até que eram legais...

Alguns humanos dizem que os gatos não gostam de pessoas, que são traiçoeiros, mas estão redondamente enganados! Falam isso porque nunca conviveram com gatos, e não sabem como podemos ser carinhosos, meigos e companheiros. Por coincidência, são esses mesmos humanos que falam que odeiam gatos. Por que será?
Mas, voltando a falar dos humanos, eu reparei que eles são cheios de manias.

Por exemplo, eles gostam de entrar na água! Não dá pra entender... Água é bom pra beber, pra brincar, mas entrar debaixo daquele jato uma vez por dia ultrapassa a minha felina compreensão! Não sei porquê eles não aprendem comigo a usar a língua para se limpar, é muito mais divertido e econômico.

Também não sei como eles conseguem passar tantas horas na frente daquela caixa barulhenta que fica lá na sala. Eu só acho interessante dormir em cima porque é quentinho. Mas quando meu rabo passa na frente, sei que vou ser xingado. Ah, mas é tão divertido ver a cara de raiva dos humanos! Eles também têm acessos de raiva quando eu deito em cima do livro que eles estão lendo, afio as unhas nas cadeiras da sala de visitas ou tento andar no parapeito das janelas!

Outra coisa que eu não entendo é por que eles passam o dia todo fora de casa quando é muito mais legal ficar cochilando na cama ou no sofá! Mas os humanos, pelo menos os meus, saem cedo e só voltam de noite pra casa. São uns bobos.

Olha, para terminar, só quero deixar bem claro que apesar de eu achar vocês um tanto esquisitinhos, adoro receber carinho e deitar em um colo, e sou muito grato por isso. E para aqueles que dizem não gostar de gatos, vocês não sabem o que estão perdendo!



Esses humanos...

Me dão carinho, comida, ratinhos de pelúcia...

Acho que eu sou um Deus!
Texto por: BELA

03 abril 2007

Livros: Índia, Alemanha e Afeganistão

Ao abrir um livro, adentramos num mundo desconhecido, no qual podemos nos identificar com personagens e situações, ou apenas fantasiar, aproveitando para fugir um pouco da realizadade. Enfim, isto é o que um bom livro promete...
Hoje resolvi dar uma de crítica literária fazendo breves observações sobre alguns livros que eu li recentemente, ambientados em locais bem distintos: Índia, Alemanha e Afeganistão.
O primeiro dos livros da lista chegou às minhas mãos por meios tortuosos: minha irmã o deu de presente de aniversário para minha mãe, e eu, sorrateiramente, o peguei para dar uma folheada e não consegui desgrudar até terminar (durou quatro dias)! O segundo, eu estava aguardando a tradução para o português para ler, pois já tinha ficado sabendo dos prêmios literários que recebeu no exterior. E o terceiro, peguei emprestado, após muita insistência e recomendações.
Paixão Índia (Javier Moro)
Editora Planeta
Anita, filha mais velha de uma humilde família de Málaga, Espanha, começou a trabalhar aos 14 anos como dançarina em um teatro boêmio. Até que um poderoso rajá indiano se apaixonou por sua graça e beleza e decidiu transformar a sua vida e a de sua família para sempre.
Este livro conta a história verídica de Anita Delgado, a mulher espanhola do último rajá de Kapurthala. O excelente trabalho de pesquisa do autor tornou essa romântica história ainda mais envolvente, acrescentando importantes dados biográficos dos personagens e da época em que se passam os acontecimentos, os últimos dias da esplendorosa e exótica índia dos rajás. Interessantíssimas as fotos acrescentadas nesta edição, pois nos mostram mais uma vez que nenhum detalhe do livro foi inventado, que seus personagens existiram de fato, com seus dramas, caprichos, decepções e momentos de felicidade. Além de muito bem traduzida, esta obra traz uma visão européia da índia do fim do século XIX e início do século XX e da influência do ocidente na vida e nos costumes orientais, culminando com sua independência e o desaparecimento dos fastos e excentricidades dos rajás. Uma leitura imperdível!


A menina que roubava livros (Markus Zusak)
Editora Intríseca/Edição 2007

A mais recente obra do jovem autor australiano que acaba de ser traduzida para o português. Este livro nos conta a história de Liesel, uma pequena órfã da Alemanha nazista adotada por uma família pobre às vésperas da eclosão da segunda guerra mundial. Para superar seus traumas de infância, Liesel conta com a compreensão e o carinho do pai adotivo, um pintor e acordeonista que não se filiou ao partido nazista, seu colega e vizinho Rudy e um inesperado amigo, Max, um misterioso judeu escondido num porão. E, claro, também há o papel desempenhado pelos livros e pelas palavras na vida de Liesel, fonte de conforto e poesia em todos os momentos de sua trajetória. Uma história humana e calorosa, contada com muita originalidade, a começar pela narradora, a prória Morte.


O caçador de pipas ( Khaled Hossein)
Editora Nova Fronteira

Este livro é a grande vedete das listas das publicações mais vendidas desde o ano passado, e fui conferir após inúmeras recomendações de amigos. Decepção. Como não gosto de largar um livro pela metade, terminei de ler a duras penas. No início, até que é interessante, mas logo cansa, pois os personagens principais são enfadonhos, covardes, desprovidos de caráter e carisma, totalmente sem interesse. O autor simplesmente não consegue dar vida aos personagens e traduzir seus sentimentos, não consegue construir um liame, uma identificação entre leitor e personagem. Ademais, há um outro defeito insuperável no livro: a falta de harmonia da narrativa. O livro começa lento, arrastado, sem muita ação, durante a infância e início da adolescência do narrador, e, de repente, flui com uma tremenda rapidez. Passam-se anos e anos em poucas linhas, em total desacordo com o tom inicial da narrativa. Outra coisa que engana é o título: não pense que por trás da inocente capa laranja-avermelhada se encontra uma história bucólica e água com açúcar. Decidamente não. Há cenas de violência sexual, tentativa de suicídio infantil e outros temas indigestos e mal explorados pelo autor. Agora, resta o mistério de sua relutante presença nas listas de best-sellers. Acho que está vendendo muito porque o Afeganistão está na moda, pelo menos em se tratando de literatura de varejo, pois encontramos atualmente os seguintes títulos com destque de vendas: O livreiro de Cabul, Eu sou o livreiro de Cabul, Mulheres de Cabul, As andorinhas de Cabul, Cabul no Inverno, além da insossa edição ilustrada do Caçador de Pipas (difícil acreditar que isto está vendendo bem. Livros adultos com ilustração? Uma tremenda furada!) Eu ainda continuo achando que a maioria dos best-sellers só marca presença nas listas dos livros mais vendidos devido à propaganda, e não necessariamente por sua qualidade.
***

Para quem se animar, ficam aqui essas idéias.

Bela

26 fevereiro 2007

Que atire a primeira pedra...

Diz-se que lá pelos idos de 380 anos depois de Cristo o teológo e monge grego Evagrius de Pontus fez uma lista de oito crimes e "paixões" humanas: gula, luxúria, avareza, melancolia, ira, acedia (preguiça espiritual), vaidade e orgulho, os quais acreditava ficavam piores à medida que se tornavam mais egocêntricos.
Após vários papados que discutiram sobre o tema e a atuação de vários teológos como São Tomás de Aquino, os sete pecados capitais hoje são: gula, avareza, orgulho, luxúria, preguiça, ira e inveja.

Mas minha intenção aqui não é discutir teologia, e sim pensar no conceito de "pecado", que me parece desatualizadíssimo, para não dizer obsoleto. Inclusive, hoje em dia parece que ficou mais difícil resistir a eles, e, com certeza, a mídia exerce um papel fundamental quando se trata de exaltar as características tão humanas que deram origem aos denominados “pecados”. De fato, comerciais, propagandas publicitárias, filmes, novelas e até mesmo os livros os mostram como algo aceitável! De acordo com eles, parece até normal ter inveja do carro novo do vizinho, escolher seu par com base única e exclusivamente na beleza física, ter como objetivo de vida a aquisição de bens materiais, por vezes supérfluos e inúteis, apenas a título de ostentação.

Pessoalmente, eu não me apego à definição clássica de “pecado”, incondicionalmente ligada à religiosidade. Acredito sim, que há atitudes condenáveis, mas a gravidade destas deve passar apenas pela nossa consciência, que é a única medida do nosso conhecimento e dos nossos valores. Apenas quando agimos em desacordo às nossas próprias convicções é que poderemos nos sentir culpados e angustiados, e assim já sofremos os efeitos do “pecado”, que nada mais é do que a “consciência pesada”.

Não há como negar que a natureza humana é dúbia, capaz de atos louváveis e outros deploráveis. Por isso mesmo os sentimentos ruins, as atitudes lamentáveis, os erros e os equívocos são comuns no dia a dia, e fazem sim, parte necessária do nosso engrandecimento e maturidade pessoal.

Que atire a primeira pedra quem nunca cometou os seguintes "pecados":

Gula
Comprou o pipoca grande no cinema só porque a diferença de preço entre a média e a grande é mínima... e comeu o pacote inteiro!
Acredita que comer a caixa inteira de bombons de uma vez só é menos prejudicial para o regime do que comer um bombom por dia...
Pegou escondido um pedação do ovo de páscoa do seu irmão só pra não abrir um dos seus.
Avareza
Re-utilizou uma folhinha de faixa azul.
Pagou meia no cinema fingindo ser estudante.
Tentou “raspar” o verso do cartão telefônico porque diziam que ele daria mais crédito (Não sei se todo mundo vai lembrar dessa, mas foi uma lenda urbana que circulou em BH nos anos 90).
Cobiça
Nem achou o carro novo do seu vizinho “tão bonito assim”.
Pensou que ficaria bem melhor do que a sua amiga no vestido novo que ela comprou.
Ira
Esmurrou o computador quando ele travou. Almaldiçoou o seu provedor de Internet pela lentidão da conexão, a TV a cabo por estar fora do ar, a companhia telefônica pela falta de sinal, o Banco pelo seu saldo em vermelho, etc.
Luxúria
Ficou o dia todo deitado(a) com seu amor, com a desculpa de que a vista da janela era linda...
Se encantou com um belo par de olhos verdes.
Orgulho
Tentou colocar a culpa no seu colega ou estagiário pelo prazo que não foi cumprido, pelo trabalho que não foi entregue, pelo serviço que ficou malfeito.
Não deu o braço a torcer quando achou no meio das suas coisas o CD que você acusou sua irmã de não devolver. E escondeu-o no meio das coisas dela.
Preguiça
Jantou danoninho para não ter que lavar louça.
Jogou papel na rua porque não tinha lixo perto.
Ficou pendurado nos programas de mensagens instantâneas(msn, orkut), jogos interativos e eventos de esportes ao vivo no ambiente de trabalho, fugindo das suas obrigações.

E por aí vai...

Mas não são esses "pecados" quase inocentes, ínfimos, no meio das atrocidades que vemos por aí? Podemos ser julgados por eles, que não prejudicaram ninguém(direta e gravemente), quando no máximo, nós mesmos?

Será mesmo a consciência a medida de todas nossas ações? Porque eu também não acredito que a consciência de alguns criminosos deva doer muito... Mas aí estou fugindo um pouco do assunto.

Enfim, prezado leitor, se você não é culpado por nenhum "pecado", não se aflija, pois, como diz um sábio amigo meu: todo Santo tem um grande passado, e todo pecador, um grande futuro.

Afinal, somos humanos, e apenas isso, HUMANOS...

Bela

14 fevereiro 2007

Fome & pão de queijo


Hoje é quinta-feira e foi o primeiro dia de aula de Amanda na sétima série. Ela estuda em um tradicional colégio de Belo Horizonte, um daqueles que ostentam os maiores índices de aprovação no vestibular. Ela tem apenas treze anos, mas já se preocupa com a faculdade, porque quer se tornar uma brilhante advogada, e trabalhar com o pai no escritório.

Assim que chegou da aula, Amanda encontrou a mesa pronta para o almoço, pois Maria, a empregada, já sabe a hora em que a garota chega da escola e que os patrões nunca almoçam em casa por causa do trabalho.

Mas Amanda não reclama do almoço solitário. Isso lhe permite simplesmente “fingir” ter almoçado. A adolescente tem apenas trezes anos, mas já se preocupa com a boa forma, e pretende emagrecer bastante para ficar parecida com as modelos magras e elegantes das revistas de moda.

Como todas as tardes, depois do almoço, Amanda ligou a televisão e deitou no sofá, onde acabou adormecendo, num sono tranqüilo e despreocupado.

***

Weder mora com a mãe e cinco irmãos em um barraco no subúrbio de Belo Horizonte. Seus irmãos têm entre sete e treze anos, e a família de sete pessoas vive com a aposentadoria de um salário mínimo que a mãe recebe.

O rapaz tem vinte anos e estudou apenas até a quarta série, e até hoje não conseguiu se estabelecer em nenhuma atividade fixa que lhe permita ganhar algum dinheiro para ajudar a família, por isso passa o dia em andanças pela cidade, vigiando carros, procurando comida e pedindo esmolas na porta de bares e restaurante.

Essa é a vida que Weder vem levando desde que deixou a escola, até o dia de hoje, quinta-feira, quando teve seu nome citado nas páginas policiais.

***

Poucos minutos depois de cair no sono, Amanda despertou, acordada por um cheiro estranho, um cheiro de queimado. Entrou correndo na cozinha, assustada.

-“Maria, o que aconteceu? Você queimou alguma coisa?”

-“Uai, não, menina! Mas tô sentindo cheiro de queimado mesmo! O que será?”

Amanda olhou pela janela e viu uma fumacinha escura saindo da casa ao lado. Gritou, mas ninguém respondeu. Preocupada, resolveu sair e tocar a campainha da casa para avisar que algo estava queimando lá dentro.

Chegou na porta da casa, tocou a campainha, e nada. Foi quando percebeu que a porta estava arrombada, praticamente quebrada, e o cheiro de queimado persistia, quase que insuportável àquela altura.

Abriu a porta devagarinho e foi entrando na casa, até chegar à cozinha, de onde vinham o cheiro e a fumaça.
No fogão, encontrou uma fornada de pães de queijo torrados, carbonizados, e no sofá da sala estava Weder, adormecido, segurando uma chave de fenda e uma faca, seus chinelos gastos cuidadosamente encostados lado a lado.

***

Quando a polícia chegou, Weder ainda dormia, e sonhava com lindos e cheirosos pães de queijo para saciar sua fome.

Acordou com a violenta sacudida do policial, foi algemado e levado para a sede do 1º Batalhão.

Weder chorou em silêncio, e enquanto observava o monte de carvão no qual se transformaram os apetitosos pães de queijo, confessou ter usado maconha pouco antes de arromabar a casa e tentou justificar seu crime reclamando que as pessoas lhe negam um prato de comida:

- “os boyzinhos que passam pela rua só me oferecem maconha. Quando passo perto de um bar, as pessoas pagam cachaça para mim, mas comida mesmo ninguém dá”.
E Weder tinha fome.

***

Depois da prisão de Weder, Amanda voltou para casa e agora sonha em ser juíza para condenar todos os bandidos espalhados pela cidade.

Weder foi solto na noite daquela mesma quinta-feira, mas “o dorminhoco”, como passou a ser conhecido pelos ouvintes da Rádio Patrulha, foi preso novamente quatro dias depois, após invadir um restaurante fechado e surrupiar quinze filés e algumas caixas de lasanha.

***

Amanda não passa de uma personagem inventada por mim, mas sei da existência de várias como ela por aí.

Já a história de Weder é real, e você pode trombar hoje mesmo com “o dorminhoco” nas ruas de Belo Horizonte. E também sei da existência de vários como ele por aí.

Bela

24 janeiro 2007

Das mentiras que contaram para mim


Enganar crianças sempre foi muito fácil, e os adultos sempre se utilizaram desse artifício para evitar responder perguntas embaraçosas, revelar verdades ainda “não apropriadas” à idade de seus rebentos, ou simplesmente para induzí-los a fazer sua vontade sem perder tempo em longas explicações.

Minha avó, por exemplo, me dizia que eu devia comer bastante verduras para que meus olhos ficassem verdes. E tudo isso para não ter que me explicar que as verduras são ricas em vitamina A e C, ferro, potássio, e que isso faria um bem danado para minha saúde... Ela também dizia que dormir de cabelo molhado fazia o nariz apodrecer, mas não me perguntem de onde ela tirou isso, eu só sei que eu acreditava piamente em tudo o que ela dizia.

Meus pais também já me enganaram de uma maneira bem sarcástica: aproveitaram-se da minha ignorância para se livrar de um pequeno problema e ainda rir às minhas costas.

Aos quatro anos de idade eu já manifestava sinais evidentes de hipocondria precoce. Era só me pedir para cantar uma música numa hora em que eu não estava afim que eu logo respondia: “ah, não, tô com febre” e sempre que eu era compelida a fazer algo que eu não queria (como ir à escolinha, por exemplo), eu aparecia com uma misteriosa dor de cabeça.

Então, meus pais me apresentaram ao Placebo, segundo eles, o melhor remédio do mundo. Assim que eu começava a reclamar de dor de cabeça, lá vinha o Placebo: um grande copo de um líquido esbranquiçado, ligeiramente adocicado, e que curava qualquer dor e febre quase que instantaneamente.

Quando tive idade suficiente para descobrir o significado da palavra “placebo”(muito antes de me empolgar com a banda batizada com este nome), meus pais confessaram que o remédio milagroso era apenas água com açúcar. Me vinguei dos anos de enganação apresentando o Placebo à minha irmã, só que para ela era água com sal! Doce vingança...ou melhor, salgada!

Outra enganação na qual eu acreditei foi que meu pai já foi um dos Menudo. Na época da febre dos garotos, ele me contou que já fez parte do grupo de adolescentes, e que teve de sair quando ficou mais velho. E eu, inocentemente, ainda contava essa fábula às minhas amiguinhas!

Hoje, já passei da idade em que posso ser passada pra trás facilmente, e chegou a minha vez de poder enganar as criancinhas. Mas, ao contrário do que eu imaginei quando comprovei empíricamente que comer quilos de alface não tornaria meus olhos verdes, cheguei à conclusão de que os adultos não fazem isso por maldade ou simplesmente para manipular as crianças.

Descobri isso quando meu priminho me perguntou:

Por que é assim: fica de dia, depois fica de noite?

Eu respondi: porque a gente tem que dormir, ué! Imagina se você ia conseguir dormir com o sol na sua cara???

Pode não ser a melhor explicação, mas pelo menos é a mais conveniente...
Bela.

18 dezembro 2006

A sementinha do espírito natalino


A minha mais antiga lembrança de Natal remonta às ceias organizadas em família, na qual eu e meus priminhos disputávamos as asas do Peru a tapas enquanto esperávamos, inquietos, a chegada do Papai Noel à meia noite. Acontece que tudo isso perdeu muito o charme quando descobrimos que o esperado bom velhinho era ninguém menos que o tio Zé, que, apesar de um tanto magrela para a fantasia, só foi descoberto quando sua barba de algodão caiu estatelada em cima do sofá.

Depois disso, o Natal perdeu um pouco de sua alegria. Algumas pessoas queridas se foram, deixando no ar a saudade de suas risadas; o Papai Noel, após perder sua dignidade, nunca mais nos visitou; e, enfim, e eu meus priminhos crescemos, o que culminou numa ceia sem crianças para alegrar o ambiente.

Hoje em dia a ceia de Natal se resume a um jantar caprichado entre adultos prontos para se empanzinar, e um amigo-oculto sem graça de presentes esperados e obsoletos.
Enfim, encontro-me no “limbo” do Natal: grande demais para esperar o Papai Noel, mas ainda não tão “grande” para ser o Papai Noel de alguém.

Por isso não me desespero se ainda não consegui fazer germinar novamente a pequena semente de espírito natalino que teima em permanecer infértil dentro de mim. Eu sei que ela existe e está escondida em algum cantinho por aqui, mesmo que eu ainda não a tenha encontrado...
Bela

Meu Papai Noel

Eu devia ter uns oito anos quando decidi que o bom velhinho de roupa vermelha e barba branca não existia.

Renato, meu amigo e vizinho da mesma idade, alegava já saber desse segredo desde o ano passado, pois no dia do Natal, seu primo, um verdadeiro e abominável pestinha, ganhou uma linda bicicleta, enquanto ele, que tinha se comportado bem o ano todo, teve de se contentar com uma mísera caixinha de Lego.

"Não que o Lego não seja um presente genial", disse Renato, tentando disfarçar sua decepção, mas, decididamente o carrinho do primo era algo muito mais desejável, o sonho de qualquer garoto dessa idade. “Se Papai Noel existisse de verdade, não daria um carrinho daquele ao meu primo” concluiu (e devia estar certo, pois o menino o quebrou no mesmo dia).
Mas uma determinada hora, cansado de esconder sua decepção, Renato procurou sua mãe, chorando, para saber a razão do descaso do Papai Noel e dela recebeu a notícia de que ele não existia de verdade, que quem comprova os presentes de Natal eram os próprios pais das crianças, e que, por isso estes eram dados de acordo com as possibilidades financeiras de cada um.
A boa notícia é que Renato ficou feliz com esta explicação, pois assim ficou comprovado que ele não tinha sido mal julgado pelo Papai Noel, e curtiu sua caixa de Lego como deveria ter feito desde o início, sem perder sua fama de bom menino.

Mas eu não acreditei nessa versão dos fatos apresentada por Renato, e queria comprovar pessoalmente que o velhinho barbudo e barrigudo não existia. Assim, me preparei para dormir debaixo do pinheiro na noite de Natal, e conferir quem é que deixava os presentes lá.

Minha mãe arrumou minha cama no sofá, naquela noite, e eu me deitei, acreditando que conseguiria me manter acordada até a hora em que os presentes deveriam “aparecer”. Mas o inesperado aconteceu, e eu dormi...
Abri os olhos de mansinho, e eles estavam lá, embrulhados em papel brilhante e fitas coloridas, debaixo das luzinhas pisca-pisca do pinheiro.

Levantei com um pulo e fui tirar minha irmã da cama.

Na maior algazarra, estávamos as duas abrindo os presentes, rasgando furiosamente os embrulhos e espalhando as fitas e os papéis pelo chão, admirando ruidosamente nossas Barbies, walkmans, etc. quando ouvimos um murmúrio vindo do quarto dos nossos pais.
No minuto seguinte, meu pai entrou na sala, de pijama amassado e com uma inconfundível cara de sono, e, com a voz que normalmente era reservada para as broncas, disse:

-“Olhem que horas são!

Me virei para o relógio na parede e constatei, espantada, que eram apenas três horas da manhã.

Papai sorriu e nos abraçou.
E eu descobri que Papai Noel existe sim, mesmo que ele não use roupas e gorro vermelho e não ostente longas barbas brancas.
Bela

02 dezembro 2006

Dicas (pré) natalinas

Eu sei, ainda falta praticamente um mês para o Natal, mas nunca é cedo para nos informamos sobre como evitar gastos estratosféricos tão comuns nesta data. Além de tudo, dizem que mineiro é econômico e prevenido, e as mineiras, como boas representantes da mineirice, não costumamos perder o trem, uai!

Acontece que nessa época do ano, muitos cidadãos felizes por estarem com o décimo terceiro no bolso (o que certamente não é o meu caso) acabam torrando o que seria uma graninha bem razoável em gastos inúteis e despesas desnecessárias e começam o ano no vermelho, logo quando pipocam os abomináveis mas não adiáveis impostos (IPTU, Seguro Obrigatório, IPVA, etc.).

Por isso, economizar neste Natal pode render ótimos frutos para 2007, pois tem algo pior do que iniciar o ano novo cheio de dívidas?

Então, se prestarmos atenção, veremos que pequenos detalhes acabam por fazer muita diferença no bolso, mas quase nenhuma na alegria das festividades que imperam nessa data.

Quer ver só? Confira as dicas abaixo:


* Planejar, antes de tudo.
Sabe aquela caderneta guardada há séculos no fundo da gaveta? Pode desenterrar! Para evitar gastos desnecessários, você deve saber exatamente o que comprar, e pra isso vale usar da velha e boa listinha. Presente pra tia avó? Vai pra listinha. Cartão pro namorado? Também! E não se esqueça de acrescentar na listinha o Peru, a grande estrela onipresente do Natal. O objetivo da listinha é evitar cair na tentação de comprar coisas desnecessárias e ficar perambulando pelos corredores dos supermercados e shoppings, garantia de gastos inúteis e amargos arrependimentos.

* Pesquisar, pesquisar, pesquisar.
A dica seguinte é dar uma de Sherlock Holmes e pesquisar no maior número de lojas e supermercados possível à procura do melhor preço. Uma boa dica é pesquisar também em lojas virtuais, pois os livros, por exemplo, costumam ser até 20% mais baratos nas livrarias online, que, inclusive, costumam nem cobrar frete na época do Natal.

* O que todo mineiro sabe fazer: pechinchar!
Já decidiu a compra? Antes de pagar, não deixe de pechinchar para obter um desconto. De dez tentativas, ao menos uma terá êxito. Tente pelo menos obter um desconto para pagamento à vista, que deve ser de no mínimo 5% . Deixa disso de ter vergonha de pechinchar, pois pode fazer uma diferença enorme no final. Como a sábia vovó preguava, vergonha é roubar e não poder carregar!

* Não deixar para amanhã o que você pode (e deve) pagar hoje.
Tenha na cabeça que o objetivo final é começar o ano sem dívidas. Para isso é bom que as compras sejam feitas à vista, preferencialmente em cash (tá bom, pode ser cartão de débito). Para isso, deixe o cartão de crédito e o talão de cheques em casa para resistir às indecorosas propostas de pagamento em parcelas a perder de vista...

* Não deixar para amanhã o que você pode comprar hoje.
Você entendeu certo: o segredo é antecipar a compra. Os preços tendem a estar mais baixos no início de dezembro, quando os lojistas tentam atrair o consumidor para as compras de Natal, iniciando a campanhas publicitárias. Pode apostar, já na segunda quinzena do mês, os preços começam a subir, e atingem seu auge com a proximidade das festas, e só baixam novamente no dia 23 e 24, quando os supermercados e lojas tentam se livrar do excesso da mercadoria que não foi vendida. Mineiro (ou não) bom é aquele que não deixa nada pra última hora. Senão, tem que se contentar com os restos, o que é inadmissível!

* Prestar atenção no mercado.
Ao contrário do que todo mundo imagina, esse ano alguns produtos importados podem sair mais baratos que os nacionais. Comparados ao ano passado, os importados chegarão às prateleiras brasileiros 10% mais baratos em razão da queda do dólar. Os panetones importados, por exemplo, terão preço 6% menor que os nacionais, os vinhos e espumantes estarão 7% mais em conta. Sem falar naquele chocolatinho chique pode muito bem fazer papel de presente pra sua sogra chocólatra sem pesar na receita.

* Valorizar o Brasil.
Sempre achei que devíamos nos desprender do estereótipo europeu do Papai Noel com bota de couro até o joelho e casaco de pele rebordado em pleno verão de 42 graus. Me admira muito que as criancinhas brasileiras ainda acreditem no bom velhinho! Mas o paradigma do Natal Europeu também deve ser quebrado no que se refere à mesa natalina. Pratos gordurosos e pesados não caem bem no verão brasileiro, pois são mais adaptados ao inverno! Além disso, castanhas, nozes e avelãs são mais comuns em países europeus e, portanto, mais caros no Brasil. Assim para fugir dos gastos e tornar a ceia um pouco mais brasileira o ideal seria substituir os alimentos tipicamente europeus por frutas frescas e secas brasileiras. Que tal uma bela cesta de ameixas, pêssegos, nectarinas, pêras, e maçãs, como sobremesa?

* Pôr a mão na massa!
Cozinhe no lugar de comprar pratos prontos, que normalmente são muito mais caros! Inclusive, isso tornará a sua ceia muito mais pessoal e aconchegante, pois o sabor da comida caseira não se compara a nenhum buffet, por melhor que ele seja! E na hora de preparar a comida, não quebre a cabeça pensando em algo sofisticado ou complicado: para agradar, basta que seja preparada com carinho. Valorize sempre o seu toque pessoal na preparação do prato!

* Seguir a moda: criar, personalizar, customizar!
Quem disse que seguir a moda custa o olho da cara? Na crista da onda das maiores tendências da moda, customize o seu presente! Como assim? Criando alternativas para presentear as pessoas queridas sem gastar muito, com a vantagem de acrescentar um caráter pessoal aos seus presentes! Com certeza o presenteado se sentirá ainda mais valorizado. Nessa hora, vale tudo, quanto mais criativo melhor: crie estampas personalizadas para simples camisetas brancas (tie-die, por exemplo); aprenda a fazer trufas e monte uma linda caixinha de chocolates por um preço mínimo, etc. No meu caso, eu sempre gravo um CD para meus amigos mais próximos, com uma cartinha simpática, e tenho certeza de que todos adoram. A Ana, por sua vez, presenteia os amigos com lindos arranjos em origami! São uma beleza, vocês precisam ver!

Enfim, ainda é cedo para desejar um feliz natal para o querido leitor, mas espero que vocês tenham ótima disposição (e paciência) para preparar a festença, pois, como dizia um grande professor meu, o melhor da festa é esperar por ela!

Bela

28 novembro 2006

Meus queridos e velhos diários

Ontem aconteceu uma coisa muito peculiar comigo. Arrumando o meu armário (o que por si só já é uma coisa peculiar, mas esse texto não é sobre isso) eu reencontrei uma pilha enorme de agendas e de cadernos antigos de anotações, nos quais eu escrevia algumas observações sobre o dia a dia, relatava acontecimentos marcantes, idéias interessantes que surgiam do nada, fazia listas de afazeres e, claro, também registrava algumas confidências. E isso desde 1995, quando eu ainda conseguia contar a minha idade usando as duas mãos e um único pé!

Mantive esse hábito por longos anos (OK, confesso, faço isso até hoje, mesmo achando arcaico anotar coisas em pedaços de papel) e reler esses “diários” antigos sempre me marca pelas emoções que isso me desperta. Às vezes nem me lembro mais do acontecimento que motivou determinada anotação, ou sequer tenho uma vaga lembrança dos personagens de algum evento, mas na maioria das vezes os meus cadernos são hilários! Como estou boazinha hoje, resolvi compartilhar com vocês algumas das observações que me divertiram ontem.

14 de novembro de 1994
Hoje o M. me pegou brincando de barbie no quarto da minha irmã. Será que ele reparou que eu estava brincado mesmo? Disfarcei fingindo que estava só colocando uma roupinha na Cremilda para a minha irmã, mas eu tive que emprestar a MINHA barbie pra ela, o que eu ODEIO. Chato, chato, chato.

Ainda brincava de boneca mas já tinha interesse no sexo oposto. Acho que era normal, as meninas de hoje é que são precoces demais. No entanto, parece que eu estava mais preocupada com a boneca do que com o menino. Mas para o ato cruel de batizar a boneca de “Cremilda” eu não tenho desculpas

25 de fevereiro de 1995
Encontrei com o M. hoje. Ele me deu um ursinho de pelúcia (na verdade dois, porque é uma mãe panda abraçando um filhote). Pena que eu odeio esses bonecos feiosos, não servem pra nada. Vimos "Cemitério Maldito" e até que foi legal. Acho que pode até dar certo porque ele não gosta de futebol e nem arrotou depois de beber Coca-Cola.

Será que essa era a idéia que eu fazia do homem ideal? Mas eu deveria estar enganada, porque definitivamente NÃO deu certo. E eu não gostava de ursinho de pelúcia porque não ia combinar nem um pouco com meu morcego tamanho real pregado na parede do quarto (e que fazia barulho de morcego de verdade!).

05 de Abril de 1997
A partir de hoje quero começar a fazer tudo diferente. Quero ser uma nova pessoa, aquela que eu deveria ser há muito tempo. Já deveria te percebido o quanto me desviei do meu caminho!

Credo, o que eu será que eu tinha feito? Fiquei até com medo e preocupada, mas não consegui lembrar de nada específico...

12 Setembro de 1998
Saiba ter calma para decidir. Hesitar é normal. Só encontramos as respostas quando não estamos mais aqui. Agora o que vale é cumprir o seu plano, e na hora certa procurar ajuda.

Parece mensagem psicografada, mas também não lembro de ter mexido com isso em algum momento da minha vida.

16 de Abril de 1999
O fim de semana na Suissa (sic) foi legal, mas ultimamente não ando com ânimo pra essas coisas. Só fico pensando na hora de voltar pro Brasil. Será que vai ser estranho? Recebi carta da Ana hoje. Parece que ela está se divertindo na faculdade. Na verdade, todo mundo está se divertindo, só eu é que fico em casa esperando alguém escrever pra mim, o que, meu amigo, não acontece todo dia. Peguei o carteiro entregando as cartas e ele parece o Ed Harris.

Depois disso aprendi que Suíça em português é com ç. E se eu soubesse como hoje eu sinto saudade de lá, acho que teria aproveitado mais. E essa Ana que estou falando aí é a mesma do blog, viu Anita? Tenho todas as cartas que você me enviou nesse ano guardadinhas! Agora, me dirigir ao caderno como “meu amigo” é inédito! Quanto ao carteiro, ele era mesmo a cara do ator americano Ed Harris, disso eu lembro!

27 de outubro de 2000
Minhas promessas pro ano que vem são:
1) emagrecer 3 quilos
2) arrumar meu quarto (sem enfiar a bagunça toda no armário)
3) passar hidratante todo dia
4) marcar dentista
5) anotar os cheques emitidos (fazer talão!!!)
6) aprender a tocar violão
7) beber no mínimo dois litros de água por dia

Acho que vou repetir essas promessas esse ano. Até hoje a única coisa que eu fiz foi ir ao dentista!
Bela

16 novembro 2006

Madeleines perfeitas!


Finalmente descobri a receita perfeita de Madeleine (aquele tão famoso bolinho imortalizado pelo escritor francês Marcel Proust, ao qual eu já fiz referência várias vezes aqui).

Interessante é que a receita segue uma lógica e uma sistemática análogas à obra do escritor.

Também há um segredo na confecção das Madeleines, um segredo de perfeccionista que faz toda a diferença, assim como as longas e bem construídas frases do escritor francês (calma que eu vou revelar o segredo logo aí embaixo).

Reparem que as quantidades dos ingredientes são proporcionais, e o resultado final, pura delícia: um gostinho de infância, uma mistura singela de suavidade e sofisticação.

Deguste com chá e com a leitura do capítulo 2 do volume 1 de Em Busca do Tempo Perdido (não é a parte que fala da Madeleine, mas na minha opinião, esse capítulo constitui uma obra à parte,e sintetiza todos os leitmotivos da Busca).

125 g de açúcar
125 g de farinha
125 g de manteiga
2 ovos
2 limões (só a casca, raladinha)
2 colheres (de café) de fermento

Bata os ovos com o açúcar, até formar uma mistura clara e fofa. Acrescente a farinha e o fermento peneirados, e bata até incorporar. Acrescente a manteiga derretida e as casquinhas de limão. Deixe descansar por 20 minutos (esse é o imprescindível segredo da perfeição) e despeje em forminhas untadas, preenchendo-as até 2/3. Asse por 15 minutos no forno pré-aquecido a 220 °C , e desenforme quando ainda estiverem mornas. Rende aproximadamente 16 madeleines, mas é claro que isso depende do tamanho da forma. As minhas são pequenas, menores que as de muffin, pra vocês terem uma idéia.


Bela.

* Foto by eatzycath's.

09 novembro 2006

Mistérios da Gastronomia

Assim como todos os ramos do conhecimento humano, a gastronomia pode nos reservas muitas surpresas, pois o paladar é um dos sentidos mais aptos a nos proporcionar prazer e sensações indescritíveis.
No entanto, as surpresas proporcionadas pela gastronomia não se restringem ao sabor da combinação dos alimentos e da preparação dos mesmos. Ao contrário, a culinária pode ser muito mais surpreendente do que o singelo prazer de degustar uma apetitosa iguaria, a começar pela investigação dos ingredientes que compõe a sua guloseima preferida.
Mas, preste atenção, a surpresa da qual eu estou falando não é necessariamente boa ou ruim. Às vezes a gente simplesmente não sabe. Não entendeu? Acompanhe comigo e veja se você sabe do que são feitos ou de onde vêm os seguintes quitutes:

Pipoca Guri

Pipoca Guri é aquela pipoca doce que vem num saquinho cor de rosa choque e que todo mundo já deve ter provado, nem que seja na infância. E se não fez isso, não teve infância. Alguns acham que a pipoca é feita de arroz. Arroz? Não sei. Minha mãe diz que são feitas com milho de canjica. Eu só sei que as “pipocas” parecem molares super crescidos e tortos, mas também não sei explicar por qual razão algumas são crocantes e doces enquanto outras são duras, escuras e amargas. Porquê, heim?

Queijo Polenguinho

Na embalagem vem escrito que é queijo fundido. Fui pesquisar e descobri que o queijo fundido é “resultante da fusão de variados tipos de queijos, o que permite a obtenção, pelo calor e adição de sais especiais, de uma pasta homogênea, de grande brilho e sabor uniforme”. Pasta de queijos? Me pergunto: que queijos são esses? De onde vêm esses queijos? Para onde vão esses queijos? Sei que minhas perguntas permanecerão sem resposta, mas espero que o responsável pela indústria dos polenguinhos não tenha uma irmã como a minha cujo tênis tem o exato aroma de um queijo gorgonzola.

Cereja Maraschino

Alguns devem estar se perguntando o que é a cereja maraschino, mas calma, eu explico: trata-se daquela cereja redondinha, vermelho vivo, que geralmente é colocada em cima de sundaes e bolos de aniversário. Mas eu sei que aquilo não é cereja coisa nenhuma. Primeiro, porque a cereja maraschino é transparente, o que decididamente a cereja de verdade não é. Depois, eu amo cereja, e simplesmente odeeeeeeio cereja maraschino. Vai dizer que é a mesma coisa? Inclusive, aquilo pra mim não passa de uma bolinha de chuchu tingida e melecada de calda.

Torresmo

Acho que sei o que é, mas eu me recuso a acreditar que alguém em sã consciência possa se deliciar com pedaços de gordura e pele de porco fritos. É muito ruim para ser verdade. Alguns torresmos têm até pêlo! E o gosto indelével de borracha queimada que fica na boca? Estranho, muito estranho...

Tender

Que diabos vem a ser isso, um “tender”? Ou vocês acreditam na existência de um leitão super desenvolvido na forma de bolinha com casquinha crocante e vermelha que só dá o ar da sua graça no Natal? Pois eu prefiro acreditar em Papai Noel! Acho que o tender só pode se originar do mesmo porquinho de Chernobyl geneticamente modificado e cromossomicamente alterado usado na elaboração dos hambúrgueres daquela famosa lanchonete americana que todo mundo sabe o nome. Ou seriam os hambúrgueres de Minhocuçu? Mas espere aí, isso já é outra história...

Geléia de Mocotó

Alguém já foi numa delicatessen ou padaria e voltou com potinhos de geléia de morango, damasco, framboesa e... mocotó? Pois é, nem eu. O pior é que tal é o nome da infame substância semi-gelatinosa supostamente extraída de cascos de bovinos! Vai ver geléia de mocotó não é geléia mesmo, e só usam esse nome para enganar as criancinhas! Só sei que na minha única e remota experiência com a dita cuja descobri que tem cheiro e aspecto de pneu velho e aposto que a intragável mistura foi desenvolvida em alguma perigosa usina nuclear, talvez as mesmas dos porquinhos do Tender.

Champignon de Paris
Compramos em vidrinhos os simpáticos cogumelos que usamos em molhos, tortas, strogonoff, etc. Mas serão mesmos os champignons simples cogumelos? E mais, cogumelos de Paris? Acho que isso não passa de conversa fiada, pois os insípidos e borrachudos ingredientes são todos iguaizinhos entre si, e se parecem mesmo é com mini-clones de alguma espécie alienígena, com direito até a chapeuzinho! Alías, alguém já ouviu falar em plantação de champignons em Paris? Me engana que eu gosto!

Chips

Pra mim, isso não passa de um maligno experimento da Elma Chips. Só gostaria de saber quem teve a temerária idéia de combinar textura isopor com sabor artificial de algum queijo duvidoso, e, ainda, adicionar essência chulé antes de vender a gororoba resultante como salgadinho para crianças inocentes. Isso deveria ser crime hediondo, gente.


Isso tudo sem falar no ovo cozido que misteriosamente apresenta um tom arroxeado no limite entre clara (que deveria ser branca) e a gema. Essa anomalia geralmente é encontrada em pizzas sabor portuguesa encomendadas naquelas pizzarias de fundo de quintal, sabe-se lá porquê. E a Coca Cola? Dizem até que alguns usam para limpar motor de caminhão e desentupir pias. Bom, é melhor parar por aqui mesmo, pois já está chegando a hora do almoço.
Bom apetite para todos!

Bela

30 outubro 2006

Os donos da conversa

Pegando uma carona no último texto da Ana, já perceberam como em qualquer reunião de mais de três pessoas sempre estará presente um ou mais dos tipos abaixo descritos?
Festa de família, reuniãozinha de amigos na mesa do bar, batizado de criança, enterro de cachorro, fila de cinema, e até encontros casuais no meio da rua, lá estão eles, disfarçados de bons samaritanos. Ou não.
Esclareço que esta não é uma obra de ficção: qualquer semelhança com a realidade é mais do que uma simples coincidência. Nomes não serão citados para evitar possíveis constrangimentos. As técnicas de repressão citadas foram testadas com grande índice de êxito, mas a autora se coloca aberta a novas sugestões.

O pedante

Descrição: Inicia todas suas frases com “no curso de francês medieval que eu fiz...” ou “na minha última viagem a Londres eu...”. Não deixa passar a oportunidade de comentar detalhadamente o último filme do Almodóvar (mesmo que seu interlocutor não tenha visto a película) e simula espasmos de incredulidade quando descobre que uma pessoa não leu a obra completa de Bukowski. Tem opinião formada para todos os temas e assuntos, exceto futebol e a nova temporada do Big Brother, e sempre que pode critica o Paulo Coelho e o Código Da Vinci.
Como reconhecer: Anda sempre com um livro na mão, de preferência com um título complicado e autor de nome impronunciável. O tipo qualificado anda com um livro em língua estrangeira. Costuma usar óculos de aros pretos, e ostenta orgulhosamente aquele tom branco-escritório de quem não vê um solzinho há séculos.
Como se proteger dele: Apresente-se para ele como “Fulano/fulana, PhD”. Isso já será um balde de água fria para o ânimo do Pedante. Quando ele iniciar algum assunto que você ignora, diga que se recusa a discutir o tema desde a publicação do artigo de Hijstch (pode ser qualquer nome com muitas consoantes e poucas vogais que lhe vier à mente). No mínimo, isso vai calá-lo até a próxima vez que vocês se encontrarem.

O Experiente

Descrição: Sempre tem uma história para contar, um episódio super interessante que aconteceu com ele. Desde viagens incríveis a experiências amorosas complicadas, tudo, absolutamente tudo já foi vivenciado por este agraciado cidadão. Por isso ele não poupa relatos exclusivos de suas experiências sensacionais e sempre tem um "ótimo" conselho para dar.
Como reconhecer: Costuma se disfarçar bem em festas de família e mesas de bar. Denuncia-se quando pergunta “Quer um conselho?” e se entrega quando o conselho seguido não surte os efeitos desejados.
Como se proteger dele: Treine em casa o relato detalhado de uma operação de mudança de sexo, recheando o seu discurso com descrições de imagens, sem esquecer das metáforas e outros estilos de linguagem. Ou pergunte-lhe quando será lançada sua autobiografia.


O monopolizador hipocondríaco

Descrição: Esse tipo simplesmente desconhece o real sentido da palavra “diálogo”. Se você, inadvertidamente sacar um singelo “tudo bem?, mesmo que a entonação interrogativa no final seja leve, o monopolizador hipocondríaco aproveitará a oportunidade para contar minuciosamente como sofre com suas dores nas costas, como ocorreu cada consulta médica sobre isso, além de relatar os constrangedores efeitos colaterais dos remédios receitados. E se por um infeliz acaso você tiver tentado iniciar esse diálogo na casa dele, ainda será obrigado a assistir o vídeo da operação na coluna do dito-cujo. Haja estômago.
Como reconhecer: Esta anomalia da comunicação se manifesta principalmente nos indivíduos na faixa dos 60 (sessenta) anos ou mais.
Como se proteger dele: Simplesmente desista do gentil e quase automático “tudo bem?”.
... E uma boa dose de sorte para escapar deles.
Bela