(*) Burning Sky - Belo Horizonte/MG - Photo, Art: Ana.
Um blog sobre uai, sô, véio, contos, causos, sentimentos, pão-de-queijo, crônicas, broa-de-fubá, cinema, literatura, fotografia, arte, poesia...
* Agora em novo endereço: www.mineirasuai.com *

25 agosto 2009

Desejos

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

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Faça um pedido, eu vou te mostrar.
Um desejo apenas, que vou te brindar.
Faça o que eu faço, vou te falar:
Uma moedinha vou atirar.
Jesus pequenino, me faça um favor,
Atenda o meu pedido, uma boneca e uma flor.
Uma bicicleta, pro menino ao lado.
E que tenha sempre comida no prato.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

17 agosto 2009

Muito ou Pouco

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às vezes amar parece muito
e às vezes amar é pouco
é muito pouco
(ou é o suficiente?)
mas quando só amar é pouco
(muito pouco)
não existem mais palavras
tão indefiníveis
ou tão definidas
tentadas
usadas
sofridas
Amor.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

12 agosto 2009

I.M.P.E.R.D.í.V.E.L

Dica pra galera de Sampa, que não pode perder este lançamento de jeito nenhum!


EGA: O que nem Freud explica.
"Karla Jacobina é poetisa desde que se entende por gente e seu plano para o futuro é continuar sendo até morrer de velha. Bicho-do-mato-grosso domesticado por São Paulo. Bacharel em Direito, mas esse é um segredo que pretende não deixar para inventário, pois levará para o túmulo. Filha adotada de Iemanjá, Odo-Iyá! Morou a vida em apartamentos, razão de suas habituais infiltrações. Poderia ser claustrofóbica, mas aprendeu antes do medo a desenhar linhas de chegada. Caju mancha e mentira também. É míope, um e vinte e cinco de cada lado, mas enxergar através de lente de contato comprada lhe deixa cega. Dança é uma faísca que escapa dela. Poesia é outra."
www.karlajacobina.com

Ana.

29 julho 2009

Muffins

Cupcake

Ontem testei a receita do "Whole wheat banana nut muffin", que encontrei no "How to eat a cupcake". Vira e mexe entro naquele site e fico babando nas receitas todas, já que olhar não engorda né?

Tive que mudar um pouco, pois me deparei com algumas situações adversas: falta de nozes em casa, ovo muito pequeno, bananas meio pequenas e não muito maduras, e o desconhecimento do que viria a ser "cramberries" (provavelmente alguma frutinha maravilhosa que não existe aqui no hemisfério sul), tendo que usar a boa e velha uva-passa no lugar. Quem não tem cão, caça com gato!

No final das contas, ficou delicioso e fez muito sucesso por essas bandas de cá! Além do mais, é saudável, integral, feito com fruta e não compromete a dieta.

Mas, vamos ao que interessa: a receita!

Muffin Integral de Banana com Amêndoas e Passas
(Rendimento: de 10 a 12 muffins.)

- 1/3 xíc. leite
- 1/4 xíc. óleo
- 1 ovo
- 1 1/2 xíc. farinha de trigo integral
- 1 xíc. farinha de trigo branca
- 1/2 xíc. açúcar mascavo
- 2 colheres de chá de fermento em pó
- 1/2 colher de chá de sal
- 1 xíc. bananas amassadas (mais ou menos 2 médias)
- 1 colher de chá de essência de baunilha
- 1/3 xíc. de uvas-passas
- 1/3 xíc. amêndoas ou nozes levemente torradas e grosseiramente picadas
- Cobertura Streusel, opcional (receita abaixo)

1) Pre-aqueça o forno em 200°C.
2) Faça a receita da Cobertura Streusel, reserve.
3) Unte com margarina de 10 a 12 formas próprias para muffin, de metal ou cerâmica, polvilhando farinha de trigo branca para não agarrar. Reserve.
4) Numa tigela grande, bata leite, ovo, óleo e as bananas amassadas. Vá juntando as farinhas, o açúcar, o sal, a baunilha, e por último o fermento em pó. A massa vai ficar bem consistente. Incorpore as passas e as nozes (ou amêndoas) picadas, misture bem, mas sem bater. Divida a massa igualmente entre as forminhas de muffin. Por cima da massa, despeje 1 colher de sopa de Cobertura Streusel, se for usá-la, em cada forminha.
5) Asse durante 20 a 25 minutos, ou até ficarem marrom-dourados. (Este tempo varia muito de forno pra forno, portanto, não se esqueça de testar com um garfo no meio do muffin: se sair limpo, está assado!)
6) Após tirar do forno, espere uns 5 minutos para desenformar. Caso esteja usando forminhas de papel dentro das de metal (ou cerâmica), desenforme imediatamente.

Cobertura Streusel

- 1/4 xíc. farinha de trigo branca
- 1/4 xíc. açúcar mascavo
- 1/4 colher de chá de canela em pó
- 2 colheres de sopa de margarina

Numa tigela média, misture a farinha, o açúcar e a canela. Corte em cubinhos a margarina e usando um batedor vá misturando tudo até incorporar bem, virando uma espécie de farofa crocante.

Observações: Confesso que ao bater, achei a massa do muffin um pouco consistente demais, parecendo massa de pão. Isso pode ter relação com vários fatores: clima muito seco, leite desnatado (pois não tinha do integral em casa), a banana era "prata" e não estava muito madura, etc. Então tive que aumentar, no "olhômetro", um pouquinho a mais de leite (cerca de 2 colheres de sopa a mais) e de óleo (mais ou menos 1 colher de sopa a mais também). O açúcar mascavo daqui de casa estava meio compactado, então creio que coloquei 3/4 de xícara ao invés de apenas 1/2 xícara. Mas mesmo assim, depois que bati, a massa ainda ficou bem consistente. Depois de assado, o muffin ficou perfeito! Massa boa, macia, na saborosa, na consistência e umidade certas!

Espero que testem e gostem da receita! Eu recomendo.

Ana.

Para ver mais fotos, clique aqui.
Para ler a receita original, clique aqui (em inglês).
Para dúvidas, deixe um comentário ou mande e-mail para falecom.mineirasuai@gmail.com.

Prato visto de cima

20 julho 2009

Tinta Preta

Porto Seguro, Bahia 173

Tantas palavras corrrem e a tinta escorre no tubo que roça com a língua entre linhas espaçadas de um caderno só. Afinal, é apenas um caderno, é apenas uma vida, uma caneta em sobrevida, que nem marca se vê mais. Se bem que diferença alguma iria fazer, já que a língua japonesa ou oriental que seja, dos confins de onde se originou meu artefato de escriba, não é coisa com a qual eu tenha intimidade.

E no interior de um quarto semi-escuro, a mão quase treme e teima em tecer porcas e pobres e desconexas letras, num desafio ortográfico para grafologista nenhum por defeito... O ponto vira traço, um pingo vira letra ilegível, não sei mais se é acento ou rasura.

Rabisco uma vírgula que nem pausa é mais.
Vira um ponto num ponto qualquer de aterrissagem da ponta fina de onde mina minha tinta.
Preta.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

15 julho 2009

Menino, eu vi!

Muro

Eu vi o menino andando à minha frente. Lá longe, a mãe do menino, esperando.
Eu vi o homem barbudo vindo, olhando o menino e a mãe do menino.
Eu vi a casa na esquina, a rua, carros passando, o muro baixo da casa e o portão branco, enferrujado.
Eu vi o homem barbudo, lá longe, olhando a casa da esquina.
Eu vi o menino parando, a mãe do menino parando e falando ao menino.
Eu vi o menino pedidno e a mãe ascentindo com a cabeça.
E o homem barbudo vindo, olhando o menino.
Eu vi o menino mijando no muro baixo da casa da esquina com seu portão branco, enferrujado.
Eu vi a mãe virando de costas, o homem vindo andando, olhando a casa da esquina e o menino a mijar.
Eu vi o tempo passando e o muro baixo da casa da esquina molhando com um brilho amarelo.
Eu vi o homem barbudo perto do menino. O menino parando de mijar.
Eu vi o menino correndo, o homem barbudo entrando na casa de muro baixo da esquina, abrindo e fechando o portão enferrujado.
A mãe do menino a ralhar.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

12 julho 2009

Entre pés e costelas

Objetos :-)

(ou: Devaneios sobre ossos quebrados alheios)

Sempre torci o pé e para mim isso sempre foi uma coisa "normal" e corriqueira. Sou completamente viciada em esportes e na escola jogava queimada, ginástica olímpica, corrida, futebol, natação, ping-pong, basquete, handball, vôlei... Não parava quieta e minhas muitas atividades físicas sempre causaram dores musculares e algumas leves contusões, nada que me prejudicasse muito.

Só que essa "normalidade" toda, um dia se tornou estranha pra mim, depois de uma conversa com minha tia, que é psicóloga. Este papo ocorreu após o seguinte acontecimento: estava em minha casa, num dia de folga do treino, rodopiando como uma louca meus fouettés an tournant. Eis que escorrego, viro o pé e caio no chão, da mesmíssima forma que eu já caíra inúmeras vezes nos treinos na escola de ballet. A diferença foi que a torção no pé foi bem feia, inchou muito, e por pura sorte não rompi todos os ligamentos do tornozelo (assim disse o ortopedista durante a consulta)...

Nesta época, minha vida estava uma loucura e não sabia onde iria parar com tanta gandaia, não sabia o que queria da vida, entre outras coisitas que permeiam a mente e a vida de alguns adolescentes tardios (como eu). Segundo minha tia, esta torção no pé simbolizou minha falta de rumo e acabou que, obrigatoriamente, me forçou a parar e repensar sobre minha breve vida, durante as muitas sessões de fisioterapia a que tive que comparecer a fim de andar e dançar de forma normal novamente. E não é que deu certo?

Pensando por este lado, faria sentido, então, alguém quebrar a costela quando se está passando por dificuldades emocionais, sentimentais, quando se está insatisfeito com escolhas que se anda fazendo, "amorosamente" falando... Pensem bem, o esqueleto humano é composto por 206 ossos (segundo a wikipedia), e o ossinho localizado no tórax - a costela - foi o escolhido por Deus para confeccionar a mulher, aperfeiçoando (em termos) sua criação original - o homem...

Religiões e devaneios à parte, na dúvida na dúvida é melhor prestar mais atenção no chão em que pisamos - e não fazer fouettés an tournant em piso com sinteco!

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

05 julho 2009

Terapia do Papel

O menino aprendeu a usar as palavras.

A terapia do papel continua, uma saga que não terá fim, ao menos não enquanto me restar tinta e caderno, ainda que não disponha de uma "Montblanc" ou sequer de um "Moleskine" (ambos virtuosos iniciados em "mo"!?).

Ando cheia da unha que cresce, obrigando o esmalte a ser substituído precocemente.
Ando cheia do porteiro azul e da cobra com gestos de bebê chorão. A mim não enganam, não perderei a razão.
Ando cheia das consultas e do soar do telefone, do aparelho ortodônitico e da gordura localizada.
Quero cuidar de patas quebradas, do amor que resiste.
Quero descansar à base de água de côco, sol, sal e mar.

Mas... Ainda estou aqui;
Ciao, vou ao bar.

Ana.
(Texto: Ana Letícia)
Foto de uma página da seção FOCO da Revista Caras, 2008.

23 junho 2009

Arrebatador (*)

Sem cabeça
(*) Texto original publicado aos 14.06.2007.

Vou parar de fingir que não estou nem aí. Vou parar de fazer ironias e dizer coisas sem sentido, e nunca falar o que eu quero de verdade. Vou parar de fingir que estou tranquila no meu canto e que não penso em você a todo instante.

Vou parar de fingir que não quero falar com você todos os dias e parar de fazer o tipo “ocupada todo o tempo”. Não mais fingirei que não fico todos os dias te esperando dar um sinal de vida, tomar mais uma pílula que seja de sua atenção.

Não vou mais fingir que não me decepciono, que toda a minha agressividade, ironia e sarcasmo não são em decorrência de faltas e atitudes.

Não falarei mais com você sobre coisas não corriqueiras, mas sobre como foi o meu dia, perguntarei como foi o seu, admitirei que faço planos, sonho, penso e programo um monte de coisas, erro, grito, xingo, faço xixi e tremo choro quando estou com raiva.

Vou parar de fingir que não me lembro do seu toque, da sua voz. Vou parar de fingir que não me apaixonei por você.

Quero ouvir todas as suas letras, não só as entrelinhas. Quero parar de decifrar símbolos, palavras, reações. Quero simplesmente ouvir que me quer e nada mais. Simples assim.

Vou te falar uma só coisa: esta não é só mais uma historinha de amor, dessas que a gente menciona pros amigos, filhos e netos, um caso, uma aventura, algo que morreu por aí.

Vou parar de enrolar e dizer de uma só vez: eu quero que seja arrebatador.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

26 maio 2009

Andares

Esquadros

Falta algum tempo que eu não sei quanto é.
Angústia é não saber de mais nada quando já se sabe muito.
Sobram lágrimas sobre os pés pintados que eu não sei onde vão.
Felicidade é saber
Amor é querer
Cotidiano é sofrer
Viver é morrer.

Ana.

(Ana Letícia: foto e texto.)