(*) Burning Sky - Belo Horizonte/MG - Photo, Art: Ana.
Um blog sobre uai, sô, véio, contos, causos, sentimentos, pão-de-queijo, crônicas, broa-de-fubá, cinema, literatura, fotografia, arte, poesia...
* Agora em novo endereço: www.mineirasuai.com *

03 fevereiro 2012

N.O.V.I.D.A.D.E.S

Caríssimos seguidores,

Há muito encerrei as atividades do Mineiras, uai! no blogspot, passando-o para o wordpress.

Além de o blog estar de cara nova, agora o mineiras é .com! Tem muita novidade por lá, inclusive página no Facebook!

Novo endereço: www.mineirasuai.com.

www.mineirasuai.com

https://www.facebook.com/pages/Mineiras-Uai/277321618997735?sk=wall
Aguardo a visita!

Ana Letícia
@analeticia

24 janeiro 2010

Mineiras, uai! em NOVO ENDEREÇO


Acessem:

11 janeiro 2010

Mais 30

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

IMG_4758

Pensava que quando o dia chegasse, fosse me sentir diferente. De fato, dá um certo tremor nas pernas, a gente se olha no espelho e por mais que se veja igual a todos os dias, o olhar minucioso enxerga coisas que não existem em lugares não imaginados.

Mas é sério, há anos pensava que, ao acordar neste dia, veria alguma transformação radical em mim. Pensava que me sentiria (mais) adulta, (mais) inteligente, (mais) mulher. Pensava que estaria ou mais feia ou mais bonita, ou mais magra ou mais gorda. Pensava que ficaria loira ou que não estaria ali.

Já cheguei a pensar que nunca estaria me olhando naquele espelho daquele quarto naquele exato ponto geográfico. Que talvez eu já tivesse cabelos brancos ou muitas tranças, rodopiando longe daqui. Que teria filhos e que eles já teriam meus netos.

Pensei que o mundo seria diferente... Mais colorido? Mais preto e branco?

A verdade é que o mundo já mudou. Já foi multicor e já foi cinza tantas vezes pelos meus olhos. Eu já mudei. Já emagreci e engordei feito sanfona em festa de São João, já pintei meus cabelos sem estarem brancos e há dias em que me acho bela, noutros, nem tanto.

A verdade é que já sou adulta e mulher, que minha inteligência deixa a desejar em alguns momentos, pois não sou nenhum Einstein. Já me aceito assim, nem bonita nem feia, um dia fatal, outro normal, gata borralheira ou cinderela, brava, calma, baixa, chique, simples. Minhas pernas já não são mais as mesmas, assim como minha flexibilidade também já teve dias melhores.

Mas hoje não estou velha. Nem sábia. Nem gorda. Nem magra.

Mas... Estou preparada: que venham mais 30!

Ana.

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

17 dezembro 2009

Melô do Fim de Ano

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

Melô do Fim de Ano

Pois assim têm sido meus últimos dias do ano...

RODA VIVA
(Chico Buarque)

Tem dias que a gente se sente como quem partiu ou morreu
A gente estancou de repente, ou foi o mundo então que cresceu
A gente quer ter voz ativa, no nosso destino mandar
Mas eis que chega a roda viva e carrega o destino prá lá

Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda peão
O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração

A gente vai contra a corrente até não poder resistir
Na volta do barco é que sente o quanto deixou de cumprir
Faz tempo que a gente cultiva a mais linda roseira que há
Mas eis que chega a roda viva e carrega a roseira prá lá

A roda da saia, a mulata, não quer mais rodar, não senhor
Não posso fazer serenata, a roda de samba acabou
A gente toma a iniciativa, viola na rua a cantar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a viola prá lá

O samba, a viola, a roseira, um dia a fogueira queimou
Foi tudo ilusão passageira que a brisa primeira levou
No peito a saudade cativa, faz força pro tempo parar
Mas eis que chega a roda viva e carrega a saudade prá lá...

***

Até mais ler.
(Semana que vem.)

Ana.
(Foto: Ana Letícia. Letra: Chico Buarque de Hollanda.)

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

17 novembro 2009

Caridade ou Maldade? Manifesto contra os falsos bazares e liquidações

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

R. Mutt

Era plena 4ª feira, chuvinha ameaçando cair na capital dos mineiros. Mesmo traumatizada com o banho frio involuntário do dia anterior, que me pegou desprovida de sombrinha, resolvi conferir o bazar de uma grife famosa na sua loja do Bairro de Lourdes. Este foi o primeiro dia do bazar, que terminou no dia seguinte, tendo sido anunciado em blogs de moda e twitter da marca como “oportunidade incrível” de se comprar peças de coleções anteriores com 70% de desconto, e ainda beneficiar uma instituição de caridade.

Até aí, tudo muito bom, tudo muito bem. Almocei mais cedo que o normal e fui com mais duas amigas. Chegando lá, nenhuma placa na porta da loja, nenhum “boa tarde, sejam bem vindas”, apenas uma vendedora, que nos percebeu meio perdidas no meio da linda e colorida coleção primavera verão 2009/2010, e disse meio debochadamente que o bazar era no andar de cima, sem maiores explicações, direcionamento, simpatia, nada. E se estivéssemos lá pela coleção nova? Mas... Continuemos a história.

A construção onde fica a loja é belíssima – uma casa dos anos 50 toda reformada, clean, em tons de branco, bege, e madeira de cor clara, contrastando com vidro e um lindo jardim de inverno. Seguindo a indicação da vendedora, subimos a escadaria e nos deparamos com uma saleta pequena e escura com 3 araras abarrotadas, muita roupa embolada jogada no chão e clientes revirando tudo. Até aí, nada tão estranho para um bazar.

O anormal mesmo eram os preços NADA amigos, mesmo com o álibi de doar para a caridade e os 70% de desconto, que só eram dados após cálculos feitos na única calculadora, dividida entre quase 50 clientes. Casacos e macacões de cores horrendas e tecido idem (um linho que, em razão da cor escura e desbotada ao mesmo tempo, mais parecia um pano de chão sujo), tamanhos enormes e desproporcionais, amarrotados, da coleção de 1900 e lá vai pedrada, pela “bagatela” de 1700 reais. Menos 70% disso dá o quê? 510 reais! Não do meu bolso.

Falando nisso, a única bolsa a venda no bazar era de TECIDO, saindo por mais ou menos 500 reais (com o desconto) – preço de uma boa bolsa de COURO na Equipage ou Arezzo, por exemplo. Chapéu de feltro de 380 por 120 reais. Na Zara tem chapéus também lindos e estilosos por 70 reais, em média. Estola de PELÚCIA de 1600 por 480 reais!? Na Renner tem por 69,90! Nem comento os sapatos tamanho 42. Oi?

Pensam que é só isso? Para completar a situação, além de não ter provadores individuais, não era permitido utilizar os do andar de baixo, então num corredorzinho mais ou menos escondido as moças vestiam e desvestiam essas “maravilhas” do último século (literalmente). Uma de minhas amigas comentou que parecia que os preços tinham sido majorados a níveis absurdos nas etiquetas, tudo para você se impressionar com os tais 70% de desconto, e depois, é claro, tomar aquele susto com o preço real – que ainda continuava nada justo por aquela peça démodé. Para falar a verdade, os mesmos preços que seriam pagos na loja sem liquidação, com todo o conforto, por uma peça da estação.

A falta de acessibilidade para deficientes físicos também me chamou a atenção. Tem escada pra entrar na loja, degraus para distinguir níveis no primeiro andar, e escadaria até o segundo andar. Nada de elevador ou rampas de acesso. Durante o tempo em que estive lá, havia uma cliente de cadeira de rodas que teve de contar com a ajuda dos 2 seguranças da loja para poder entrar, subir até o bazar, descer pra ir embora, etc. No mínimo, constrangedor.

Juro que vi um vestido laranja de seda, da coleção de verão 2008/2009, que na liquidação da loja do Shopping no meio do ano (na qual sobre os preços normais é aplicado um desconto de 50%) estava mais barato que neste tal bazar beneficente. Bonito o vestido? Sim. Mas ainda assim, caro. E só tinha um vestido de resto, sem opção de cores e tamanhos. Preferível comprar na liquidação do Shopping, não?

Caridade de verdade é alguém ter a coragem de comprar roupas feias como as que vimos lá no bazar; caridade da cliente para com a grife, claro. Roupa antiga se compra em brechó – e bem mais barata, diga-se de passagem.

Ana.
Texto e foto: Ana Letícia.
Revisão e testemunha ocular: Izabela Baptista e Renata Viana.


* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

10 novembro 2009

Cimento cozido

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

Solzinho

O silêncio cega, mutila minhas mãos.
Aleijada, sigo no pasto: comer, dormir, acordar, trabalhar.
O ritmo da cidade engole e cospe sangue e fezes
No mesmo prato
Digere ratos, tritura fracos.
Oprimida, sigo por entre os que oprimo
Odiada pelos que odeio
Destemida, despudorada.
No mundo que não é de marshmellow
O chão fofo cede lugar ao cimento duro e cozido
Não há nuvens suficientes
O calor derreteu
Não há ácido suficiente
A pele descamou, o cérebro dissolveu
E o menino atravessa a rua de mãos dadas com o acaso
Desnudo, desnutrido, desavisado.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

26 outubro 2009

Reflexo

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

Reflexo

Tenho medo do escuro
Do vazio de dentro e de fora
Tenho medo do barulho que ensurdece a mente e cega a canção
Prefiro a dor ao nada
Pois se nada é, não há escolha a fazer
Quem ama o nada, alguma coisa lhe parece.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

18 outubro 2009

Warning

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

IMG_4081

Perigo, eu posso voar
Vou correr até me afogar
Perigo, eu posso sonhar
Vou comer até me acanhar
Perigo eu posso ser eu
Atracar os pés no chão e enxergar que é preciso sentir medo pra gente andar.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

05 outubro 2009

Cegueira

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

Éli-Pê

Um dia uma folha me assustou, num branco pálido cegou minha mente, calou meus ouvidos e secou pensamentos. Muito a sonhar, mais ainda a trabalhar, nada a criar, exceto vidas ao alcance das mãos, exceto páginas cheias de nãos.
No dia seguinte e nos outros então, caminhei errante por pedras rolantes, escadas íngremes que nada ajudavam a dura aventura de vomitar palavras, cantos e contos. Os pontos finais, coitados, serviam apenas a frases malucas, que só sentido têm a quem não tem alma, só juridiquês.
A cegueira da folha branca um dia passou. Como num estalo, um verso brotou fujão, quase me escapa o pensar, escorria pelo lado direito que nem fumaça de incenso, preguiçoso ele de se deixar escrever.
Sou adepta da escrita e do grito, mas sem a ajuda do grande irmão, doutor em senhas e códigos, nada sou, nada faço, não nado, não surfo, não vôo. Não falo, não vejo, não ouço. Será?
Comecemos então:
- Asdfg, maiúscula, vírgula, ponto, deixa estar.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

25 agosto 2009

Desejos

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

IMG_3983

Faça um pedido, eu vou te mostrar.
Um desejo apenas, que vou te brindar.
Faça o que eu faço, vou te falar:
Uma moedinha vou atirar.
Jesus pequenino, me faça um favor,
Atenda o meu pedido, uma boneca e uma flor.
Uma bicicleta, pro menino ao lado.
E que tenha sempre comida no prato.

Ana.

(Texto e foto: Ana Letícia.)

* Novo endereço do Mineiras, uai! www.mineirasuai.com *

17 agosto 2009

Muito ou Pouco

BH_ 015

às vezes amar parece muito
e às vezes amar é pouco
é muito pouco
(ou é o suficiente?)
mas quando só amar é pouco
(muito pouco)
não existem mais palavras
tão indefiníveis
ou tão definidas
tentadas
usadas
sofridas
Amor.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

12 agosto 2009

I.M.P.E.R.D.í.V.E.L

Dica pra galera de Sampa, que não pode perder este lançamento de jeito nenhum!


EGA: O que nem Freud explica.
"Karla Jacobina é poetisa desde que se entende por gente e seu plano para o futuro é continuar sendo até morrer de velha. Bicho-do-mato-grosso domesticado por São Paulo. Bacharel em Direito, mas esse é um segredo que pretende não deixar para inventário, pois levará para o túmulo. Filha adotada de Iemanjá, Odo-Iyá! Morou a vida em apartamentos, razão de suas habituais infiltrações. Poderia ser claustrofóbica, mas aprendeu antes do medo a desenhar linhas de chegada. Caju mancha e mentira também. É míope, um e vinte e cinco de cada lado, mas enxergar através de lente de contato comprada lhe deixa cega. Dança é uma faísca que escapa dela. Poesia é outra."
www.karlajacobina.com

Ana.

29 julho 2009

Muffins

Cupcake

Ontem testei a receita do "Whole wheat banana nut muffin", que encontrei no "How to eat a cupcake". Vira e mexe entro naquele site e fico babando nas receitas todas, já que olhar não engorda né?

Tive que mudar um pouco, pois me deparei com algumas situações adversas: falta de nozes em casa, ovo muito pequeno, bananas meio pequenas e não muito maduras, e o desconhecimento do que viria a ser "cramberries" (provavelmente alguma frutinha maravilhosa que não existe aqui no hemisfério sul), tendo que usar a boa e velha uva-passa no lugar. Quem não tem cão, caça com gato!

No final das contas, ficou delicioso e fez muito sucesso por essas bandas de cá! Além do mais, é saudável, integral, feito com fruta e não compromete a dieta.

Mas, vamos ao que interessa: a receita!

Muffin Integral de Banana com Amêndoas e Passas
(Rendimento: de 10 a 12 muffins.)

- 1/3 xíc. leite
- 1/4 xíc. óleo
- 1 ovo
- 1 1/2 xíc. farinha de trigo integral
- 1 xíc. farinha de trigo branca
- 1/2 xíc. açúcar mascavo
- 2 colheres de chá de fermento em pó
- 1/2 colher de chá de sal
- 1 xíc. bananas amassadas (mais ou menos 2 médias)
- 1 colher de chá de essência de baunilha
- 1/3 xíc. de uvas-passas
- 1/3 xíc. amêndoas ou nozes levemente torradas e grosseiramente picadas
- Cobertura Streusel, opcional (receita abaixo)

1) Pre-aqueça o forno em 200°C.
2) Faça a receita da Cobertura Streusel, reserve.
3) Unte com margarina de 10 a 12 formas próprias para muffin, de metal ou cerâmica, polvilhando farinha de trigo branca para não agarrar. Reserve.
4) Numa tigela grande, bata leite, ovo, óleo e as bananas amassadas. Vá juntando as farinhas, o açúcar, o sal, a baunilha, e por último o fermento em pó. A massa vai ficar bem consistente. Incorpore as passas e as nozes (ou amêndoas) picadas, misture bem, mas sem bater. Divida a massa igualmente entre as forminhas de muffin. Por cima da massa, despeje 1 colher de sopa de Cobertura Streusel, se for usá-la, em cada forminha.
5) Asse durante 20 a 25 minutos, ou até ficarem marrom-dourados. (Este tempo varia muito de forno pra forno, portanto, não se esqueça de testar com um garfo no meio do muffin: se sair limpo, está assado!)
6) Após tirar do forno, espere uns 5 minutos para desenformar. Caso esteja usando forminhas de papel dentro das de metal (ou cerâmica), desenforme imediatamente.

Cobertura Streusel

- 1/4 xíc. farinha de trigo branca
- 1/4 xíc. açúcar mascavo
- 1/4 colher de chá de canela em pó
- 2 colheres de sopa de margarina

Numa tigela média, misture a farinha, o açúcar e a canela. Corte em cubinhos a margarina e usando um batedor vá misturando tudo até incorporar bem, virando uma espécie de farofa crocante.

Observações: Confesso que ao bater, achei a massa do muffin um pouco consistente demais, parecendo massa de pão. Isso pode ter relação com vários fatores: clima muito seco, leite desnatado (pois não tinha do integral em casa), a banana era "prata" e não estava muito madura, etc. Então tive que aumentar, no "olhômetro", um pouquinho a mais de leite (cerca de 2 colheres de sopa a mais) e de óleo (mais ou menos 1 colher de sopa a mais também). O açúcar mascavo daqui de casa estava meio compactado, então creio que coloquei 3/4 de xícara ao invés de apenas 1/2 xícara. Mas mesmo assim, depois que bati, a massa ainda ficou bem consistente. Depois de assado, o muffin ficou perfeito! Massa boa, macia, na saborosa, na consistência e umidade certas!

Espero que testem e gostem da receita! Eu recomendo.

Ana.

Para ver mais fotos, clique aqui.
Para ler a receita original, clique aqui (em inglês).
Para dúvidas, deixe um comentário ou mande e-mail para falecom.mineirasuai@gmail.com.

Prato visto de cima

20 julho 2009

Tinta Preta

Porto Seguro, Bahia 173

Tantas palavras corrrem e a tinta escorre no tubo que roça com a língua entre linhas espaçadas de um caderno só. Afinal, é apenas um caderno, é apenas uma vida, uma caneta em sobrevida, que nem marca se vê mais. Se bem que diferença alguma iria fazer, já que a língua japonesa ou oriental que seja, dos confins de onde se originou meu artefato de escriba, não é coisa com a qual eu tenha intimidade.

E no interior de um quarto semi-escuro, a mão quase treme e teima em tecer porcas e pobres e desconexas letras, num desafio ortográfico para grafologista nenhum por defeito... O ponto vira traço, um pingo vira letra ilegível, não sei mais se é acento ou rasura.

Rabisco uma vírgula que nem pausa é mais.
Vira um ponto num ponto qualquer de aterrissagem da ponta fina de onde mina minha tinta.
Preta.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

15 julho 2009

Menino, eu vi!

Muro

Eu vi o menino andando à minha frente. Lá longe, a mãe do menino, esperando.
Eu vi o homem barbudo vindo, olhando o menino e a mãe do menino.
Eu vi a casa na esquina, a rua, carros passando, o muro baixo da casa e o portão branco, enferrujado.
Eu vi o homem barbudo, lá longe, olhando a casa da esquina.
Eu vi o menino parando, a mãe do menino parando e falando ao menino.
Eu vi o menino pedidno e a mãe ascentindo com a cabeça.
E o homem barbudo vindo, olhando o menino.
Eu vi o menino mijando no muro baixo da casa da esquina com seu portão branco, enferrujado.
Eu vi a mãe virando de costas, o homem vindo andando, olhando a casa da esquina e o menino a mijar.
Eu vi o tempo passando e o muro baixo da casa da esquina molhando com um brilho amarelo.
Eu vi o homem barbudo perto do menino. O menino parando de mijar.
Eu vi o menino correndo, o homem barbudo entrando na casa de muro baixo da esquina, abrindo e fechando o portão enferrujado.
A mãe do menino a ralhar.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

12 julho 2009

Entre pés e costelas

Objetos :-)

(ou: Devaneios sobre ossos quebrados alheios)

Sempre torci o pé e para mim isso sempre foi uma coisa "normal" e corriqueira. Sou completamente viciada em esportes e na escola jogava queimada, ginástica olímpica, corrida, futebol, natação, ping-pong, basquete, handball, vôlei... Não parava quieta e minhas muitas atividades físicas sempre causaram dores musculares e algumas leves contusões, nada que me prejudicasse muito.

Só que essa "normalidade" toda, um dia se tornou estranha pra mim, depois de uma conversa com minha tia, que é psicóloga. Este papo ocorreu após o seguinte acontecimento: estava em minha casa, num dia de folga do treino, rodopiando como uma louca meus fouettés an tournant. Eis que escorrego, viro o pé e caio no chão, da mesmíssima forma que eu já caíra inúmeras vezes nos treinos na escola de ballet. A diferença foi que a torção no pé foi bem feia, inchou muito, e por pura sorte não rompi todos os ligamentos do tornozelo (assim disse o ortopedista durante a consulta)...

Nesta época, minha vida estava uma loucura e não sabia onde iria parar com tanta gandaia, não sabia o que queria da vida, entre outras coisitas que permeiam a mente e a vida de alguns adolescentes tardios (como eu). Segundo minha tia, esta torção no pé simbolizou minha falta de rumo e acabou que, obrigatoriamente, me forçou a parar e repensar sobre minha breve vida, durante as muitas sessões de fisioterapia a que tive que comparecer a fim de andar e dançar de forma normal novamente. E não é que deu certo?

Pensando por este lado, faria sentido, então, alguém quebrar a costela quando se está passando por dificuldades emocionais, sentimentais, quando se está insatisfeito com escolhas que se anda fazendo, "amorosamente" falando... Pensem bem, o esqueleto humano é composto por 206 ossos (segundo a wikipedia), e o ossinho localizado no tórax - a costela - foi o escolhido por Deus para confeccionar a mulher, aperfeiçoando (em termos) sua criação original - o homem...

Religiões e devaneios à parte, na dúvida na dúvida é melhor prestar mais atenção no chão em que pisamos - e não fazer fouettés an tournant em piso com sinteco!

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

05 julho 2009

Terapia do Papel

O menino aprendeu a usar as palavras.

A terapia do papel continua, uma saga que não terá fim, ao menos não enquanto me restar tinta e caderno, ainda que não disponha de uma "Montblanc" ou sequer de um "Moleskine" (ambos virtuosos iniciados em "mo"!?).

Ando cheia da unha que cresce, obrigando o esmalte a ser substituído precocemente.
Ando cheia do porteiro azul e da cobra com gestos de bebê chorão. A mim não enganam, não perderei a razão.
Ando cheia das consultas e do soar do telefone, do aparelho ortodônitico e da gordura localizada.
Quero cuidar de patas quebradas, do amor que resiste.
Quero descansar à base de água de côco, sol, sal e mar.

Mas... Ainda estou aqui;
Ciao, vou ao bar.

Ana.
(Texto: Ana Letícia)
Foto de uma página da seção FOCO da Revista Caras, 2008.

23 junho 2009

Arrebatador (*)

Sem cabeça
(*) Texto original publicado aos 14.06.2007.

Vou parar de fingir que não estou nem aí. Vou parar de fazer ironias e dizer coisas sem sentido, e nunca falar o que eu quero de verdade. Vou parar de fingir que estou tranquila no meu canto e que não penso em você a todo instante.

Vou parar de fingir que não quero falar com você todos os dias e parar de fazer o tipo “ocupada todo o tempo”. Não mais fingirei que não fico todos os dias te esperando dar um sinal de vida, tomar mais uma pílula que seja de sua atenção.

Não vou mais fingir que não me decepciono, que toda a minha agressividade, ironia e sarcasmo não são em decorrência de faltas e atitudes.

Não falarei mais com você sobre coisas não corriqueiras, mas sobre como foi o meu dia, perguntarei como foi o seu, admitirei que faço planos, sonho, penso e programo um monte de coisas, erro, grito, xingo, faço xixi e tremo choro quando estou com raiva.

Vou parar de fingir que não me lembro do seu toque, da sua voz. Vou parar de fingir que não me apaixonei por você.

Quero ouvir todas as suas letras, não só as entrelinhas. Quero parar de decifrar símbolos, palavras, reações. Quero simplesmente ouvir que me quer e nada mais. Simples assim.

Vou te falar uma só coisa: esta não é só mais uma historinha de amor, dessas que a gente menciona pros amigos, filhos e netos, um caso, uma aventura, algo que morreu por aí.

Vou parar de enrolar e dizer de uma só vez: eu quero que seja arrebatador.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)

26 maio 2009

Andares

Esquadros

Falta algum tempo que eu não sei quanto é.
Angústia é não saber de mais nada quando já se sabe muito.
Sobram lágrimas sobre os pés pintados que eu não sei onde vão.
Felicidade é saber
Amor é querer
Cotidiano é sofrer
Viver é morrer.

Ana.

(Ana Letícia: foto e texto.)

24 maio 2009

A Casa Grande

Casa Grande & Senzala

Ontem, Thiago publicou uma crônica intitulada "Arquitetura da Casa Grande", que por algum motivo me fez lembrar da notória briga entre os Ministros do nosso Tribunal Supremo (STF), a tal discussão que caiu no gosto da mídia e foi campeã de audiência no 'iutubiu'.

Na fazenda do meu bisavô (foto acima), empregado não entrava dentro da "casa grande", nem sequer subia a escadaria da varanda, que dava na entrada da casa. A comida deles nem era ali servida, quando muito, colocavam-na em marmitas ou pratos de metal lá embaixo, no primeiro degrau, o mais perto do chão possível.

Minha mãe e tia não podiam sequer aparecer ou brincar na varanda, pois "os homens" poderiam vê-las. E as ditas empregadas domésticas, da cozinha pra dentro da casa, não podiam passar. Eram proibidas até mesmo de levar os comes e bebes à mesa, onde a família se sentava e aguardava o almoço. Arrumar os quartos, então, fora de cogitação! Se assim o fizessem, sei lá, deviam ser até penalizadas com chibatadas, como se escravas ainda fossem... (Quem arrumava a casa, limpava o chão, colocava à mesa? Minha mãe e sua irmã, minha tia, oras!)

Imaginem então o quão próximo de nós está esta realidade discriminatória... De uma certa forma, é até fácil entender como o pensamento "racial" e "preconceituoso" se desenvolveu e foi incutido nas cabeças de grande parte dos brasileiros... Afinal de contas, Casa Grande e Senzala fomos, e em alguns confins do Brasil, ainda somos até hoje, infelizmente! Os da "alta sociedade" atual, que são da idade de nossos pais ou mais velhos, vivenciaram essa realidade muito de perto, quando crianças ainda, e para eles esse comportamento sempre foi passado como algo certo, natural, normal...

Por isso penso que ser muito difícil mudar isso de cima pra baixo... Educação começa do berço! As crianças é que devem ser bem EDUCADAS, humanamente falando, não só nas escolas, mas em suas casas por suas famílias também... Princípios, moral, caráter, respeito, igualdade, humildade, fraternidade, e amor ao próximo.
Fica chato bater na mesma tecla...
Mas falta AMOR no mundo.

Ana.
(Texto e foto: Ana Letícia.)